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    June 22

    QUER ALUGAR A BARRIGA? - Capítulo VIII

     
     
     
    Quer alugar a barriga?
    Uái, se pagar bem!
     
    Capítulo VIII 
     
    Terminou a limpeza do apartamento, deixou tudo brilhando e ligou o televisor, eram quase quinze horas e a campainha foi acionada, ao abrir se deparou com Jorge que entrou, e como se Marcela fosse sua propriedade, enlaçou sua cintura e tentou beijá-la, a garota era forte e se safou com um forte empurrão. Jorge riu e quis voltar à carga, mas parou ao ouvir a voz de Marcela em tom ameaçador: - “Olhe Jorge, se tentar me forçar nunca terá nada de mim, além de que, vou-me embora e depois você terá de explicar ou inventar uma mentira para Irene e justificar minha saída daqui”. Jorge tentou argumentar: - “Você também disse que me quer, por que isto agora?” – “Porque quero que Irene tenha este filho, e espero que você participe e não atrapalhe, depois que eu estiver grávida veremos, mas antes não!”
     
    Marcela jogara com o trunfo que tinha, dando esperanças a Jorge ganharia tempo, ou corria o risco dele tomar a decisão de mandá-la embora e se recusar a fazer os gostos de Irene. Venceu o desejo de Jorge por ela que, achando que mais tarde conseguiria tudo da garota, era só dar tempo ao tempo, mudou sua atitude, se desculpando e dizendo que estava apaixonado, mas saberia esperar, e que também queria o filho e dava-lhe razão em não querer fazer nada as pressas. Marcela fingiu acreditar nas desculpas do patrão, mas ao mesmo tempo já não o achou mais tão atraente como das outras vezes, pensou... “bem que este cafajeste merece uma boa lição, e quem sabe não serei eu a dar o que ele merece”.
     
    Os procedimentos correram todos como esperado, Jorge pediu ao Dr. Hernani para apressar as coisas e foi atendido prontamente. Marcela só ia fazer os exames acompanhada de Irene que, a cada dia mais, se afeiçoava à moça, os exames locais foram feitos por uma médica da clinica que não fez perguntas, apenas examinou e colocou um parecer favorável no boletim, assim como não houve qualquer registro do evento que ia ser realizado. Logo que Irene entrou em período de ovulação foi à clinica,  retirou o material no dia seguinte, a  fecundação do ovulo foi confirmada pelo médico que acompanhou tudo especialmente interessado no caso. Irene e Marcela estavam solidárias, e todo dia pela manhã a moça fazia a medição da temperatura uterina até que, numa manhã de domingo, o termômetro acusou a temperatura ideal para a implantação do ovulo fecundado e que estava congelado na clinica.
     
    Irene ligou para o doutor Hernani, e como Jorge chegara tarde da noitada com amigos, Irene não o acordou, desceu e tirou seu Escort da garagem com Marcela fazendo piada: - “Quando eu for ganhar o neném não vou deixar você me levar, senão vou ter o bebê no carro, gastou meia hora só para tirar o carro da garagem”. As duas riram e Irene acelerou para a Tijuca onde ficava a clinica. Quando chegou, Hernani e a doutora Célia, a mesma médica que examinara Marcela, estavam à espera. O medico cumprimentou-as em tom brincalhão dizendo: - “Cadê o Jorge, ficou com medo de não dar no coro?” Riu da própria piada e subiram para as instalações elegantes da clinica.
               
    Marcela deitou-se e pensou... – “Agora não tem mais volta”, o medico recolheu sangue e, enquanto examinava a temperatura, pulsações, media a pressão sanguínea, Irene andava para todo lado sem parar, até que o médico rindo, pegou-a pelos ombros, empurrou-a para um sofá e depois que ela se sentou ele disse – “E fique quietinha, você é só participante”. Tudo estava perfeito, dois outros médicos acabavam de chegar e já foram assumindo suas posições para ajudar, uma médica que chegara já foi preparando a paciente, enquanto o outro já tirava o óvulo fecundado para o descongelamento, usando um processo moderno e rápido. Marcela pensara que o processo seria demorado e nem acreditou quando o doutor disse que estava tudo pronto. Hernani disse-lhe que podia ir para casa e que deveria voltar a clinica na quarta-feira seguinte para os exames.
               
    Irene e ela riam sem parar durante o trajeto de volta ao apartamento, quando chegaram, Jorge estava assistindo televisão, a porta fora aberta por fora e ele viu sua esposa correr para ele e se atirar no seu colo rindo e, ao mesmo tempo emocionada, tentando contar o sucesso da operação, se enrolou toda e foi Marcela quem deu a noticia. – “Ela quer dizer que estamos todos grávidos!”- Jorge ficou realmente alegre com a noticia. Resolveram sair para um passeio pelo litoral, foram para Angra dos Reis e embarcaram num saveiro que fazia um roteiro por várias ilhas, com um almoço numa das mais bonitas de muitas que formam o conjunto, Marcela estava encantada com tanta riqueza e beleza reunidas num só lugar. Pensou novamente que gostaria muito de ser rica para nunca mais ter que sair dali.
     
    Só retornaram a noite, cansados da viagem, mas achando que não tinham comemorado o suficiente, Jorge bem que chamou para tomarem banho e saírem de novo, mas Irene disse não, Marcela não deve fazer muito esforço. Riram, mas acharam que a medida era boa, menos para Jorge, que saiu para alguns chopes antes de ir para a cama. As duas mulheres ficaram sozinhas, e agora Irene era toda cheia de cuidados com a garota que se sentia mimada e feliz com a decisão tomada. Irene disse que ia contratar uma nova empregada e Marcela disse que não, só quando ela ganhasse o bebê, não deixou nem Irene argumentar mais, estava decidida e disse: - “Lá na minha terra se diz que gravidez não é doença, e depois, nem sabemos se já estou mesmo grávida, o doutor disse que pode ser necessário várias vezes para engravidar.
     
    Irene ficou meio triste, e Marcela percebendo a abraçou e disse: -“Não se preocupe, eu já estou me sentindo grávida” - riu e colocou a mão no ventre exclamando: -“Oh, mexeu””, riu e se abraçaram como duas crianças felizes. A vida voltou ao normal, cada um vivendo suas expectativas, e a ansiedade maior era a de Irene, embora Marcela também às vezes ficasse até um pouco nervosa. Tinha medo de saber o resultado que poderia ser negativo e frustrar os planos, principalmente de Irene, que não conseguia nem trabalhar em paz, ligando de três a quatro vezes por dia para saber se ela estava bem. Chegou a tão esperada quarta-feira e Irene pulou cedo da cama, mas desta vez Jorge disse-lhe: - “Vou levar vocês, do jeito que estão é capaz de sofrerem um acidente no caminho da clinica”. Deixou-as no local e foi para o trabalho, combinando com as duas de pegarem um taxi na volta. Os exames foram rápidos e o próprio Dr. Hernani foi quem trouxe as noticias, chegou com o papel na mão, ajoelhou-se de frente a Marcela e encostou o ouvido na sua barriga, após alguns instantes de fingida auscultação disse: - “Esta menina está totalmente grávida”.
     
    Foi um pequeno alvoroço com as palmas dos presentes e as lágrimas emocionadas das duas mulheres, que só conseguiram sair da clinica depois de se acalmarem bastante e terem ligado para o Jorge. Ele resolveu sair do trabalho, buscá-las na clinica e levar até o apartamento, deixou as duas num ambiente festivo e voltou ao trabalho, Irene ligou para sua empresa e cancelou todos os compromissos que tinha, resolveu passar o dia curtindo a gravidez do seu filho junto com a mãe de aluguel. Reviram os dias de comparecimento a clinica para os exames de pré-natal e os cuidados e exercícios que ela teria que fazer todos os dias até os três primeiros meses de gravidez. O primeiro mês passou com rapidez, Marcela, embora de vez em quando se lembrasse de Marcos, não tinha tempo de pensar no homem, e por isto um dia quando foi atender um telefonema levou um susto, e ficou por um instante sem saber como responder. Ele estava falando do Canadá e tinha ligado só agora dizendo que não queria incomodá-la. Esta desculpa serviu como deixa para Marcela, que neste dia estava só em casa e pode falar com liberdade: - “Puxa Marcos, já fazem mais de dois meses que você se foi e não deu noticias...”, Marcos deu mil desculpas, disse que os negócios tiveram envolvimento do governo canadense e foi preciso muito trabalho para acertar tudo, felizmente tudo deu certo e no final da semana estaria de volta. Despediram-se com Marcela preparando o terreno para quando ele voltasse: – “Marcos, lembra-se quando conversamos e eu lhe disse que gostaria de fazer algo por tia Irene, mas que não poderia contar ainda para você?” Marcos confirmou que se lembrava, e foi gentil dizendo que se lembrava de tudo o que ela lhe dissera nos mínimos detalhes. Marcela disse: - “Agora eu posso lhe contar, só não sei se vai me perdoar”.
               
    Desligou com Marcos ficando um pouco encucado com o que ela teria de tão sério para lhe contar, mas o “não sei se vai me perdoar...” lhe dava a certeza de que ela andara pensando nele, não era bobo e sabia que por mais que fosse um homem atraente, o que contava para as mulheres era sua posição social e seu dinheiro, mas uma deusa como Marcela valia a pena gastar alguns milhões para tê-la, e estava disposto a gastar o que fosse preciso. Ficou ansioso para que chegasse logo o dia de regressar ao Brasil. Marcela por sua vez, teve tempo de colocar sua jovem cabecinha inteligente para pensar, armou um plano audacioso e, a noite, quando Irene e Jorge chegaram, ela disse que tinha algo para conversar e perguntou se poderiam ouvi-la depois do jantar, recebeu a confirmação e aguardou.
     
    Quando terminou, Irene curiosa e temendo alguma mudança na decisão da moça, perguntou o que ela queria conversar, Marcela esperou um pouco e depois disse: - “Bem, o Marcos me ligou do Canadá e disse que volta este final de semana e quer conversar comigo, eu acho que vocês sabem que ele está interessado em mim e ele não me desagrada. O que eu quero é que me aconselhem, mas não no sentido de tirar a idéia da minha cabeça, e sim como devo agir, pois não me interesso apenas por uma situação estável por ele ser rico, mas quero que seja, se ele realmente quiser algo comigo, uma união verdadeira e legal, para isto preciso que confirmem esta história de que eu sou sobrinha de vocês. Parou e fitou os dois ao mesmo tempo, e viu que Jorge engolia em seco, enquanto Irene mais pratica, perguntou como ela iria fazer para esclarecer a sua gravidez, Marcela disse: - “Isto eu não vou esconder, pretendo contar a história verdadeira”.
     
    Irene foi quem falou primeiro, - “Se você está segura do que quer, e como está mostrando um propósito honesto, eu aprovo, e o que você precisar poderá contar comigo”. Jorge resolveu mostrar seu desagrado, porém não podia falar o que queria perto de Irene, por isto disse: - “Eu vou pensar primeiro, depois lhe dou uma resposta, isto é muito inesperado... e quem me garante que ele quer ter um relacionamento sério com você? Espero que você me desculpe, primeiro vou pensar bastante depois lhe digo o que eu acho. Se eu concordar, vou ajudar sim, afinal o Marcos é um dos meus melhores amigos, mas em se tratando de mulher...” falou exatamente como um carioca... “...não ponho minha mão no fogo”.
     
    Marcela sabia que os motivos eram outros, mas sabia os trunfos que tinha, por isto disse: - “Está certo, mas gostaria de uma resposta mais breve, ele chegará no final de semana e, conforme disse, virá aqui me procurar. No outro dia, eram dez horas e a campainha tocou, Marcela sorriu, pensou... chegou  uma tempestade. Foi abrir a porta, era Jorge que, embora tendo a chave da porta, por motivos de estratégia,  não a abriu. Quando Marcela abriu, ele já entrou dizendo: - “Vim esclarecer aquela conversa de ontem. Se você pensa que pode me fazer de otário está enganada, se você quer agarrar o velho rico eu não ligo, mas primeiro eu é que tenho direito e não vai me enrolar mais. Partiu para cima dela e a agarrou, e prendendo seus braços a beijou sem que ela fizesse nada para tentar impedir.
     
    Animado, o fogoso Jorge começou a bolinar seu corpo, enquanto sussurrava: - “Minha gostosa, quando você se deitar com este macho vai esquecer aquele velho...” - de repente percebeu que a moça estava como uma estatua, não protestava, mas não correspondia aos seu arroubos de paixão, e um sexto sentido o fez perguntar: - “O que é, vai fazer c... doce agora? Qual é a sua, ta pensando o que? Eu também tenho dinheiro se é o que quer, diga a quantia!”, sentiu as duas mãos da moça no seu peito empurrando-o, e aí viu que ela estava chorando, ficou meio desconcertado, podia ser um cafajeste, mas nunca forçara nenhuma mulher contra sua vontade. Mesmo assim arrematou: - “Sua virgem de m..., pode parar de chorar, mas não aceito este papo do Marcos, vou avisar para ele que você é uma interesseira e não é minha sobrinha p... nenhuma”.
     
    Fez menção de sair, mas ouviu Marcela dizer, - “Espere um pouco patrão, agora eu quero falar, pegou sua bolsa que estava em cima da mesa, e parecia estar ali de propósito, remexeu um pouco e tirou uma certidão de nascimento, entregando a Jorge sem dizer mais nada, ele recebeu o papel e resmungou algumas palavras ao estilo bem desbocado: - “Pra que eu quero esta p...? Eu quero é levar você pra cama!”- ela esperou ele olhar para a certidão, mas não esperou ele ler e disse: - “Tenho dezessete anos, e quando o bebê nascer vou estar completando dezoito, se você atrapalhar minha vida com Marcos, eu vou lamentar muito, mas vou dar parte a policia e livrar a cara de Irene e ferrar com você para o resto da vida.
     
    Jorge demorou a digerir aquela conversa toda e, quando entendeu a arapuca que ele tinha caído, ameaçou a moça até de morte, o que não sabia é que estava se ferrando cada vez mais, Marcela tinha ligado um gravador que estava bem escondido quando ele chegou, e por isto evitara de falar muito. Não era burra e sabia que ele viria e tentaria qualquer coisa para não ver sua macheza desafiada, por isto se prevenira. O gravador era de Irene que, às vezes, gravava reuniões de trabalho, e como para Marcela era um brinquedo que ela usava para gravar sua voz cantando ou declamando alguma poesia de escola, ela não levou mais para o serviço, e às vezes se divertia com a garota e suas brincadeiras. Ele saiu furioso e bateu à porta do apartamento atrás de si, Marcela foi até a porta e a trancou por dentro, mas era uma preocupação inútil, ele não voltou. Meia hora depois tocou o telefone e era ele querendo conversar.
     
             Ela o deixou falar a vontade, ele procurou se desculpar e disse que concordava com tudo, e que ela podia ficar tranqüila que ele não ia fazer nada, desde que ela mantivesse o trato sobre o bebê. Ouviu-a dizer com uma segurança de quem sabe o que quer: – “Ouça...” - ligou o gravador e deixou a fita tocar, Jorge ouviu e não disse mais nada. Ela foi quem continuou: - “Esta fita vai ficar bem escondida, mas não se arrisque a fazer nada contra mim, pois ela iria cair nas mãos de quem menos você espera, e quanto ao bebê, meu acordo é com sua esposa, faça sua parte direito e tudo vai ficar bem”. Desligou o telefone, riu e depois chorou, sabia que estava jogando alto, e sabia que era ela de um lado da balança e um mundo desconhecido do outro lado. Estava jogando e jogos têm riscos.
     
                                                                                            Continua na próxima sexta-feira.
     
      Valdemiro Mendonça
    - O Trovador -  
     
    O jogo da vida
     
     
    Tem quem luta para sobreviver
    tem quem sobrevive para lutar,
    tem quem aposta no jogo alto
     com somente a vida para jogar.
     
    Para quem joga o jogo da vida,
    tem que ter coragem de sobra,
    para olhar nos olhos do jogador
    com a  frieza do olhar da cobra.
     
    Tem que se armar e ser paciente
    jogar com a pressa do parceiro,
    assim quando ele armar o  bote
    você dá o bote e morde primeiro.
     
    Não tenha medo das caras feias
    jogue alto se quer mesmo jogar,
    pois mostrar que está com medo
    vai deixar o seu parceiro ganhar.
     
    Mas se a vida é um preço alto,
    e apostá-la é coisa de menino,
    então nunca  aposte a sua vida
    ou louros advindos do seu destino.
     
     Valdemiro Mendonça
    - O Trovador -  
     
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    QUER ALUGAR A BARRIGA - Capítulo VII

     
                           
     
    Quer alugar a barriga?
    Uái, se pagar bem!
     
    Capítulo VII 
     
    Jorge e Irene só voltaram depois da meia noite. Ficaram discutindo sobre o assunto procriação.  Irene lhe falou do oferecimento de Marcela e frisou a vontade de ter um filho dele, mesmo não sendo por um processo natural. Jorge deixou que ela falasse por muito tempo, e quando finalmente ela perguntou se ele concordava, teve que esperar alguns minutos pela resposta. Jorge analisou os prós e os contras da questão. Se por um lado era um saco ter que passar por todo o aperreio que envolvia o processo da fertilização, isto faria com que ele tivesse uma afinidade maior com Marcela, e poderia ajudá-lo a levar para a cama a garota que estava deixando-o maluco de desejo, e já estava ficando difícil esconder de Irene a paixão avassaladora que o atingira.
     
    Além de que, também sonhava com um filho, e se a garota queria, talvez ele pudesse inverter a história da fertilização in-vitro e combinar com ela uma farsa, fazendo o filho ser dele e dela. Quando respondeu, primeiro segurou a mão da esposa e disse que ele concordava sim, em nome do grande amor que tinha por ela. Irene deixou cair algumas lágrimas de felicidade, e como uma criança que acabou de ganhar um brinquedo, pediu uma champanha para comemorarem e fazer planos. Jorge colaborava e fazia o sonho ficar maior, afinal... “ser feliz e fazer a felicidade dos outros é tão fácil”. Eles voltaram de pileque para o apartamento, e Irene ficou um pouco decepcionada por ter visto que Marcela fora dormir, mas teve o consolo de Jorge que lhe disse que no domingo poderiam falar disso a vontade, pois ele iria para o clube da Gávea e nem queria saber de encontrar vascaínos pela frente.
     
    Dormiram com Irene sonhando que o mundo era muito bom e a felicidade era uma questão de tempo para encontrar. No outro dia só acordaram porque Marcela tinha se levantado antes das oito e feito o café, quando o entregador de pães tocou a campainha, ela estava no banheiro e demorou a atender, isto fez com que ele tocasse de novo fugindo a regra e acordando Jorge que, ao sair da cama, a acordou também. Ela levantou de bom humor e enquanto Jorge tomava banho, ela apenas escovou os dentes, colocou um robe e saiu sorridente para cumprimentar Marcela. Pelo sorriso e cara de felicidade, a bela moça adivinhou que a conversa com Jorge fora frutífera e exclamou:
    - “Hum... pelo jeito eu vou ficar feia e barriguda já, já”! Irene ficou apreensiva, mas o sorriso de Marcela deu-lhe confiança para responder; - “Feia não, vai é me matar de inveja ,isto sim”!
     
    As duas se abraçaram e Marcela se comoveu deixando as lágrimas rolarem. Irene também se emocionou e as duas ficaram rindo e chorando sem falarem, mas numa comunhão nova que soou como um alarme para Marcela, que começou a sentir que alguma coisa estava mudando dentro dela. Apertou-se com força contra o corpo de Irene e disse: - “Nós vamos ter este filho”! Se separaram, mas continuaram de mãos dadas sem falarem, até que a porta do quarto do casal se abriu e o barulho desmanchou o momento mágico que estavam vivendo as duas. Jorge cumprimentou Marcela e disse estar com fome, Marcela que já tinha preparado a mesa, disse: - “É só sentar-se e comer”. Jorge e Irene não se fizeram de rogados, Marcela como de costume, ficara perto da mesa sem se sentar e esperando para, se quisessem alguma coisa especial, ela serviria.
     
    Foi uma grata satisfação quando Irene se levantou e, afastando a cadeira, disse para ela se sentar, pois agora era parte da família, e viu Jorge também se levantar e confirmar as palavras da esposa acrescentando: - “Você vai continuar recebendo seu salário e vamos combinar um jeito de você ser muito bem recompensada por ser a mulher que vai abrigar nosso filho até ele se formar e nascer”. Ela sentou-se e não disse nada, visivelmente emocionada, Jorge que bebia cada gesto, cada mudança no semblante da moça, notou e, por um momento, teve um pensamento menos sórdido em relação a ela, mas quando ela sorriu e agradeceu, voltou a sede de beijar aqueles lábios tentadores que delineavam aquela boca vermelha, jovem e parecia uma maçã pedindo para ser mordida. Logo depois do café, Jorge fez uma ligação ao telefone para um médico amigo seu e marcou um encontro no clube.
     
    Ambos eram flamenguistas, e o doutor Hernani era um velho companheiro de farras, já o havia tirado de uma encrenca, fazendo o aborto de uma garota menor de idade que ficara grávida dele.  Saiu e foi para o clube deixando as duas para fazerem planos sobre o futuro herdeiro. Irene chamou Marcela e foram almoçar num restaurante perto da lagoa, lá sentadas numa varanda tranqüila, conversaram e acertaram os detalhes da aventura. Marcela não queria falar de pagamento, mas Irene fez questão de lhe assegurar uma boa quantia em dinheiro, e que na manhã seguinte ela não trabalharia e iria com ela ao banco para abrirem uma conta, mas Marcela pensando que assim o fato de que sua menor idade iria aparecer, pediu a ela deixar para outra hora, não queria dinheiro agora, depois que o bebê nascesse ela poderia ajudá-la, principalmente nos estudos.
     
    - “Não dona Irene, esqueça pagamentos, eu confio na senhora e vou fazer isto porque minha vida tem que tomar um rumo. Acho que se vamos ter uma relação tão forte de sermos mães divididas, teremos que fazer isto numa base de confiança, como um pacto entre nós de não deixarmos nada atrapalhar esta confiança.
     
    Irene concordou e, segurando as mãos da garota, jurou que elas seriam amigas sempre e que faria tudo para ela atingir seus objetivos. Mais uma vez Marcela se perturbou com o gesto de Irene, sentiu aquela sensação de que algo estava modificando seus sentimentos, ela não atinava com o que poderia ser, mas sentiu um súbito calor afoguear-lhe o corpo e retirou sua mão com delicadeza, levantou-se indo até mais perto da mureta da varanda e olhou para o mar não muito distante da lagoa, e que mostrava inúmeras embarcações velejando naquelas águas tranqüilas de uma manhã ensolarada.
     
    Voltou a mesa e perguntou a Irene se já tinha viajado em navios, Irene contou com satisfação a viagem que fizera por muitos países com Jorge, e disse que um dia elas iriam viajar juntas. Marcela ficou um pouco em silêncio, pensou que precisava ficar sozinha e rever uma porção de coisas da sua vida com muita urgência, mas por enquanto o melhor a fazer era curtir a felicidade de Irene, que agora não queria mais ser chamada de senhora nem de dona. Se tinham um pacto de amizade, os laços também deveriam ser mais afetivos. Tudo estava saindo como Marcela queria, só uma coisinha beliscava seu coração e mexia com sua cabeça... não sabia definir o que era, mais uma vez veio a vontade de ficar só, e balançou a cabeça para afastar de uma vez as sombras enigmáticas.
     
    Às quinze horas estavam em casa e continuavam ainda eufóricas no  planejamento do sonho de Irene, o telefone tocou e Irene atendeu, era Jorge dizendo que estava na garagem e iria subir com um amigo, Irene mais que depressa calçou uma sandália, e Marcela avisada, correu para o quarto e colocou um vestido menos chamativo do que a blusa transparente que tinha vestido. Dentro em pouco soou a campainha e Marcela foi abrir dando passagem a Jorge e ao doutor Hernani, que logo foi elogiando a beleza de Marcela e ouviu de Jorge que ela era a sobrinha que ele mencionara. O médico que já conhecia Irene a cumprimentou e, com o discurso que sempre usava “eu sou médico e ainda não sei o remédio que se usa para estar assim sempre jovem” e emendou “se todas as mulheres prometessem ficar como a sua, Jorge eu me casava, mas na incerteza não me arrisco”.
     
    Todos riram e até Marcela, agora se sentindo mais intima com Irene, acompanhou soltando seu riso cristalino, que soou como uma melodia para os ouvidos. Jorge pediu a todos que se sentassem, e se dirigiu ao grupo dizendo que trouxera o doutor Hernani, que tinha uma clinica especializada em gravidez, e que concordara em realizar todo o processo da fertilização. Tinha profissionais competentes e, se necessário ele poderia contar com outros com especialidades mais avançadas ainda, mas contava com o sucesso da operação sem que isto fosse necessário. Irene agradeceu a Jorge, ela sabia que isto era evitar os preâmbulos e a burocracia, se fossem fazer as coisas com advogados e dentro da lei como requeria este tipo de gestação, levariam meses talvez anos para conseguirem uma liberação. O doutor Hernani, embora sem muitos escrúpulos, era um médico famoso e competente, e era freqüentador das páginas das revistas de medicina mais famosas da Europa, sempre participando de congressos sobre esta especialidade.
     
    Jorge se serviu de whisky e ofereceu ao doutor que aceitou, mas pediu para misturar água ao seu, as mulheres tomaram refrigerantes enquanto os empanados de frango, “novidade lançada  recente no mercado” ia deixando um cheirinho gostoso no apartamento. Logo Marcela retirou do forno a iguaria que agradou a todos, tendo que assar mais enquanto o doutor ia desfilando os procedimentos necessários para o evento a se realizar. Jorge iria a clinica para retirarem o material, Irene iria seguir alguns procedimentos de exames para saber quando estaria ovulando, e Marcela faria exames vários para saber se estava apta a receber o óvulo fertilizado, tendo marcado horário para Jorge no outro dia, e já na terça feira para Irene e Marcela, que iriam juntas. O doutor se despediu, e Irene comemorou agradecendo ao marido pelo interesse.
     
    Conversaram muito sobre o assunto e sempre com a preocupação de que Marcela estaria mesmo certa do que queria. Ela estava firme na sua decisão e garantiu que agora, se não fizesse o proposto, se decepcionaria. Na segunda- feira Irene fora para o trabalho junto com Jorge, que a deixou na porta da empresa, Jorge ficou no seu escritório até o horário que teria de ir para a clinica, e depois foi se encontrar com seu amigo doutor Hernani, com quem, após a coleta do material, foi almoçar junto com o médico. Em casa sozinha, Marcela começou a se lembrar da alegria de Irene, sentiu que ela era uma pessoa especial e que não poderia fazer mal a alguém assim, repassou sua vida e, desta vez não espantou a lembrança da mãe e do pai.
     
    Lembrou dos dois com saudades, e relembrou sua tempestuosa saída de casa, pensou nos momentos carinhosos em que seu pai admirava sua beleza e a abraçava com orgulho de pai coruja que a amava.  Arrependeu-se de tudo e chorou, chorou como uma pessoa que tinha perdido algo muito importante e não sabia se voltaria a tê-lo de volta. Acusou-se de pessoa má e indigna do pai e da mãe que a criaram, mas prometeu a si mesma que, uma dia, iria pedir perdão a eles e recompensá-los por todo o sofrimento que lhes causara. As forças que movem os destinos das pessoas estavam agindo sobre ela. A vontade agora de ajudar Irene com um gesto tão nobre, trouxe a tona os sentimentos bons que seus pais incutiram em sua alma.
     
    Como será a Marcela mais adulta... só saberemos nos próximos capítulos.
                                                                                   Continua na próxima sexta-feira.
     
      Valdemiro Mendonça
    - O Trovador -  
     
    O Choro
     
     
    Não era aquele choro barulhento
    foram soluços de triste amargura,
    eram lágrimas de arrependimento,
    o despertar de uma nova criatura.
     
    Eram as forças do grande Criador
    que se fazia presente na essência,
    onde está para florescer um amor;
    Ele demonstra sua complacência.
     
    Nascer querendo o que não se tem
    roubar do arco íris seu pote de ouro
    e ser convidado por gente de bem,
    a brilhar nas festas com seu tesouro.
     
    A desigualdade social é aquele vilão
    que corrompe até a alma mais pura,
    e faz aquele que se arrasta no chão,
    querer voar na imensidão das alturas.
     
    Mas se uma semente boa foi plantada
    e fizer as pétalas do amor desabrochar
    toda força de Deus a fará abençoada
    para que o pecado, ele possa perdoar.
     
     Valdemiro Mendonça
    - O Trovador -  
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    June 19

    Tempo de criança

     

    Uma brincadeira com uma pessoa cincera

     

    que nós chamamos 

     

    Kika.

     

            TEMPO DE CRIANÇA

     

         Valdemiro Mendonça

     

    O tempo que as princesas tinham tempo,

    se foi no tempo das horas que já passou,

    entre bordados, pincéis e bailes da corte.

    ficou curto o tempo para coisas que amou.

     

    Até o caramanchão de erva de passarinho

    que eu fiz obedecendo à sua real quimera

    não rebrotou com as chuvas  deste verão

    também não quer florescer nesta primavera.

     

    Quem sabe seja este jardineiro sem pratica

    que não sabe cuidar de flores tão belas assim,

    Ou quem sabe seja o doce olhar da princesa

    Que não passeia mais pelo seu triste jardim.

     

    Por isto desesperado plantei um canteiro

    trevos de quatro folhas e arruda do norte,

    quem sabe a princesa se lembre do jardim

    e possa vir nos dar um pouquinho de sorte.

     

    Pois ela nos mais loucos desejos se espalha

    e suspira inebriada em seu sonho proibido,

    tenta um reencontro da alma e seu encanto

    na musica antiga que não tem mais sentido.

     

    Hoje a torre norte não tem aquele doce canto

    a voz bem timbrada saudando o brilho do luar,

    pois fizeram um feitiço para a nossa  princesa

    trocar o jardim sem flores pela estrela do mar. 

     

    O cavalo alado que o príncipe deu de presente

    anda tristonho, com saudade no esquecimento,

    pois sua princesa nunca mais desejou cavalgar

    voando nas nuvens brancas ao sabor do vento.

     

    Vou fazer promessas para o São Jorge lá da Lua

    para ele quebrar o feitiço desmanchando a teia,

    para que toda noite que ela olhar da torre norte

    veja sempre o brilho prateado de uma lua cheia.

     

    Assim ela há de ver o jardim e talvez se lembre

    da gangorra que eu fiz no pé de ipê antes florido,

    quando eu empurrava e ela gritava, mais alto vai,

     hoje até ele não floresce pois se acha esquecido.

     

    Acho que a culpa não é só dela, sim da mãe natureza!

    Que fez a princesa mudar modificando todo o seu ser,

    e agora ela só fica sonhando aqueles sonhos malucos

    por culpa desta tal natureza que fez a menina crescer.

     

    TÔ PARECENDO O MALUCO BELEZA

     

     

    June 10

    QUER ALUGAR A BARRIGA? - Capítulo VI

     
     
     
     
    Quer alugar a barriga?
    Uái, se pagar bem!
     
    Capítulo VI 
     
    Sonhou que viajava entre bosques frondosos sobre um caminho largo e atapetado com as flores de mil cores que as árvores deixavam cair para saudar a sua passagem. O caminho era reto como num túnel e no final tinha uma luz. Esta luz era formada pelo brilho de gemas preciosas com uma miríade de raios multicores que lhe davam as boas vindas para um mundo novo, onde ela, como princesa, reinaria sobre súditos fiéis que a amariam e cantariam louvores à sua beleza, fazendo-a ficar conhecida pelos quatros cantos da terra. Sorria, pois pássaros de penas lindas que brilhavam como lâmpadas incandescentes queriam que ela parasse a carruagem para dançar com eles.
     
    De repente, na frente dos cavalos da sua carruagem, saltou uma figura atlética e fez os animais pararem de chofre. Era um homem alto, de seus trinta e três anos mais ou menos, que anunciou apontando um arco armado com uma flecha em direção a janela da carruagem, gritando: - “É um assalto e quero mil beijos da princesa que está na carruagem ou chamarei a bruxa Irene para transformar a carruagem em abóboras, os cavalos em ratinhos e o cocheiro num gato preto malvado, que comerá os ratinhos e levará a princesa para o castelo do  bruxo Epaminondas que se disfarça de porteiro do castelo”.
     
       Ela desceu da carruagem e estava já fazendo um biquinho para pagar o preço exigido, quando de repente um novo personagem entrou na história. Outro homem atlético com porte de rei surgiu num lindo cavalo branco e, ameaçando com sua espada brilhante, fez recuar o homem com o arco de flechas que parecia amedrontado diante do poder e força do antagonista, que se mostrava como um poderoso senhor. Acompanhado de um séqüito de criados fortes e que pareciam dispostos a dar a vida pelo rei, o assaltante desencorajado só ganhou um beijo e fugiu, prometendo que voltaria para um novo assalto e, desta vez, a princesa ficaria a sua mercê.
     
    Quando o meliante fugiu, a princesa se preparou para agradecer ao rei, mas o viu através de uma nuvem cercada de estrelas fulgurantes partindo para longe. Sem outra opção, entrou na carruagem e mandou o cocheiro tocar os cavalos em direção à saída do túnel, exclamando em alto e bom som: - “Seu rei de merda, empata f...”. Ouviu os estalos do chicote e acordou com raiva do rei e, ao abrir os olhos, viu Irene, que batia palmas e com um sorriso grande na cara dizia: - “Acorda bela adormecida, já são onze horas, Jorge foi para o Maracanã e nós vamos hoje almoçar na praia e ver os pilotos de asa delta, surfistas e todos os gatos do Rio que gostam mais de mulher que de futebol”. Riu um riso de diabinha que no fundo só tinha diploma de anjo, “e dos que rezam por milagres e acreditam que eles acontecem”.
     
    Marcela deu um pulo da cama e gritou: - “Bom dia tia”! riu e disse: - “Desculpe dona Irene. Acho que andei sonhando e acabei dormindo mais do que devia”. Irene disse: - “Não se desculpe tanto, ponha aquele biquíni de laços que compramos na semana passada e vamos preparar um bom café. Hoje vamos voltar da praia só quando o ultimo raio de sol for embora”. Marcela entusiasmada disse: - “É para já patroa”! riu, fez sua higiene matinal rapidamente e saiu para preparar o café, enquanto Irene foi tomar banho, a imaginação da adolescente logo achou um significado para o banho um pouco demorado. Era devido aos embates amorosos da patroa com o marido bonitão, coitadinha... Mostrou que não sabia nada da vida dos casados.
     
    Na verdade, Irene estava tomando banho e lembrando-se da festa, sabia que seu casamento estava precisando de uma dose urgente de alguma coisa nova que desse ânimo aquela relação que, embora estável, podia desandar por falta de bases sólidas, como um filho, por exemplo. Sabia também que o marido tinha relações extraconjugais, e não se importava muito. Era inteligente e, quando era mais jovem sentiu ciúmes, mas depois aceitou numa boa as escapadas do maridão, em contra partida, também ela já tinha pulado a cerca, principalmente quando o seu Jorge saia de férias e ia pescar com os amigos no Pantanal, de onde só voltava no final das férias.
     
    Nestas ocasiões, ela, uma madame classe média alta, emergente à classe rica, usava seu carro e desfilava até encontrar alguém que lhe agradava, e gastava um pouco das suas economias na farra, sem remorso, já que sabia que estava apenas devolvendo os chifres e ainda fazendo jus a aura da cidade maravilhosa “onde todo compromisso é sério e toda traição conjugal já está incluída no pacote do casamento”(*). Ultimamente não estava se dando a estes prazeres, e em dias como aquele, entregava-se às lembranças dos momentos de luxúria junto com os homens mais completos de sua vida. Isto era um lenitivo, e funcionava como um afrodisíaco para que ela se enveredasse pelos caminhos libidinosos que, entre suspiros e ais abafados, descortinava o véu da prudência e se entregava a busca do néctar que quando jorrava, trazia um terremoto de emoções sempre em doses desiguais e surpresas às vezes compensatórias, outras... “quase um desastre”.
     
    Depois do café, desceram a rua e caminharam para a praia, rindo e carregando guarda sol, toalhas e frascos de protetores solar, cada uma ostentando sua saída de praia como um poderoso imã para os olhares masculinos. Irene caminhava como as cariocas, com a linda bunda fazendo aqueles bailados hipnotizantes, e que Marcela, como boa aprendiz, assimilou na hora. Fizeram o deleite de quem teve a sorte de ver a dupla passar nas calçadas, e que provocariam uma nova musica se por ali se encontrasse um Tom Jobim ou mesmo um Dom Chupim, dos muitos que tentavam imitar o mestre.
     
    Quando iam fincar o guarda sol, um rapaz de uma barraca de sucos saltou o balcão com agilidade e naquele jeito inigualável do povo carioca, se ofereceu e fez o serviço. Claro, ganhando logo o dinheiro da venda de dois cocos gelados e conquistando a preferência da madame e sua acompanhante, que entre cocos, refrigerantes e caipirinhas vão recebendo os elogios em todas as línguas imagináveis. Isto com o negociante fazendo questão de traduzir cada um deles para o português, numa ação que deveria ser permanente no Rio das maravilhas, sem nunca deixar o banditismo estragar uma beleza que sempre foi o cartão de visita do Brasil no mundo, e que macula este povo que é por natureza gentil.
     
    Claro, os cariocas aprendem qualquer costume. E para agradar o freguês vale tudo, doutor, madame, (dixtinto). Que nem o casal de neguinhos, e quem conta são eles mesmo. A francesa joga o lencinho no chão e o francês todo cheio de salamaleques apanha o lencinho, cheira, devolve e escuta da beldade: - “Merci bocú” ele responde: - “No pa de qüá” - a neguinha joga o lenço no chão, o neguinho olha o lenço cheio de catarro e fala: -“Nojenta” pega e escuta da neguinha: - “mexi com o c...”, e ouve do neguinho: - “Pra lá e pra cá...”. Ta também acho uma mer... cadoria, mas não vou apagar, eles é que inventaram agora que ouçam, degustem e riam ou xinguem se preferirem.
     
    Depois de comerem salgadinhos, sanduíches e churrasquinhos ficaram por algum tempo curtindo o sol e um pouco quietas, nisto passou uma senhora grávida e com um barrigão daqueles que a mulher tem que jogar o corpo para trás senão corre o risco de cair para a frente. Marcela viu o olhar de Irene acompanhar a visagem até ela se perder entre os banhistas.  Resolveu de vez colocar em prática um plano que estivera arquitetando, disse: - “Dona Irene, tenho notado que a senhora se liga muito em crianças e mulheres grávidas, até agora não quis perguntar, mas vendo que está casada há bastante tempo e não tem filhos, me ocorreu que, ou a senhora ou seu marido tem problemas que os impedem de ter filhos, não gostaria de falar a respeito? Ou se não... desculpe-me”.
     
    Irene esperou um pouco como se meditasse e depois disse: - “Meu marido é saudável, a encrencada sou eu mesma. Eu tenho sim, muita vontade de ter filhos, mas já fiz todos os exames e é impossível para eu engravidar, tenho ovulação normal, mas um útero do tamanho de uma ervilha”. Riu do seu exagero, mas deu a Marcela uma idéia exata do problema. A moça perguntou-lhe se não pensou em adotar, ela respondeu que Jorge não queria adotar e ela já havia tentado conversar, mas ele era irredutível e ela não queria magoá-lo, Marcela não queria apressar as coisas, esperou ela falar mais.
     
    Irene depois de um tempo em silêncio, como se estivesse pensando nos seus problemas voltou a falar: - “Tenho pensado em fazer uma fertilização in-vitro, mas confiar numa pessoa para desenvolver o filho é que assusta. Encontrar pessoas dispostas a fazê-lo por dinheiro é fácil. Difícil é garantir que esta pessoa depois não vá inventar uma porção de problemas para arrancar mais dinheiro ou até resolver lutar pela criança na justiça”. Marcela de supetão, disse: - “Eu faço isto para a senhora”! Irene ficou surpresa e perguntou se ela estava falando sério, - “Sim” respondeu Marcela que não era de ficar pensando para se decidir, ela era um vulcão em atividade e ia levando sua vida sem planejamento, como qualquer jovem, mas só que ela era decidida.
     
    Irene riu um riso nervoso e perguntando agora com o coração aos pulos... – “Por quê você faria isto, dinheiro”? Marcela pensou antes de responder... – “De certa forma sim dona Irene, o que eu quero é garantir que não vou ter que voltar mais a morar em cidade de interior, e possa estudar para aprender a me defender sem precisar de homem para garantir meu sustento”. Irene até gostou das palavras da moça, ela mesmo tinha tomado esta decisão, embora até se formar em engenharia, tivesse que ralar num emprego onde ganhava só o suficiente para viver e estudar, o seu patrão, um velho galinha, de vez em quando lhe dava algum dinheiro extra para fazer compras, desde que ela fosse boazinha com ele, e lhe desse uma noite de prazeres em algum motel fora da cidade, onde não havia perigo da família do velhote vir a ficar sabendo das suas escapulidas.
     
    Quando conheceu Jorge se apaixonaram, e ela não escondeu isto dele, que não fez qualquer questão, dizendo que o importante era a vida dos dois dali em diante. Sua formatura se deu seis meses após conhecê-lo e, um mês depois, se casaram sem muita pompa e só com a presença dos amigos mais próximos e os padrinhos, os dele, Marcos e sua esposa, que ainda eram casados, e dela, um casal de estudantes, seus colegas de faculdade. Mergulhara nestes pensamentos por alguns longos segundos e Marcela pergunta-lhe: - “O que foi não gostou que falasse”? – “Não, que idéia, estava pensando que já fui um pouco como você, olhe, isto vai requerer muitas conversas, planejamento, e teria que ter a aprovação de Jorge, mas acredite, eu tendo você como mãe emprestada para meu filho, quero sim! E serei eternamente grata”.
     
    - “Pois então converse com ele. Eu quando tomo uma decisão é para valer, e acho que se tem que ser, o quanto antes melhor”. Voltaram para o apartamento antes do previsto, com Irene agitada e impaciente. Jorge que sempre que o Flamengo perdia ficava uma arara e saia do estádio direto para casa, aonde chegava com uma tromba que só se desfazia depois que ela conversava com ele e saiam para tomar alguns chopes, antes das sete tocou a campainha do apartamento, Irene disse para Marcela: - “Hum... o Flamengo perdeu”! Abriu a porta e já foi logo abraçando o marido que reclamou: - “O Juiz estava comprado, ladrão miserável. É sempre assim, o Vasco só ganha comprando o juiz”. Quando viu a moça, se acalmou um pouco e chamou Irene para descerem até a rua para tomarem um chope, Irene concordou e falou para Marcela que estava preparando o jantar: - “Não vamos demorar, uma hora e meia no máximo estaremos de volta”.
     
    Saíram e Marcela pensou: “Vão decidir meu destino, e eu vou voltar a ser virgem, não vou precisar nem costurar a minha amiguinha de baixo”, riu e voltou a cuidar do jantar. Lembrou-se de Marcos, precisava esconder isto dele, ou melhor... “nem pensar no ricaço antes dela consumar o que se propôs. Como um bom presságio aos seus propósitos o telefone tocou, quando atendeu ouviu a voz grossa e segura de Marcos do outro lado da linha, respondeu e, dando uma entonação alegre à voz, disse: - “Oi Marcos. Se ligou para falar com o tio ele e tia Irene acabaram de sair”. Marcos disse: - “Não! Eu liguei para falar com minha professora de dança”. Ela – “Então pode falar, a professora está na escuta” riu e deixou ele continuar, ele falou que tinha ligado antes mas ninguém atendera o telefone, ela explicou o porque e o ouviu. – “Estava pensando que ia viajar sem falar com você”? ela, fingindo-se surpresa disse: - “Mas já vai viajar, esta noite, tão depressa”? E ele – “Pois é, surgiu um imprevisto e vou ter que passar algum tempo no Canadá onde tenho negócios, infelizmente viajo agora as vinte e duas horas, e já tenho que ir para o aeroporto” - ela falou por sua vez que sentia muito sua partida, ouviu ele suspirar do outro lado e sorriu.
     
    Ele falou tudo que ela queria ouvir, que não conseguia tirá-la do pensamento e assim que retornasse em no máximo um mês e meio queria falar com ela, ouviu-a dizer que iria aguardar com saudades a sua volta. Ele desligou o telefone sem vontade e ela esperta... mais do que adivinhar, sentia que aquele homem era seu. “Tinha apenas que saber se conduzir”. Depois de se alimentar um pouco, deixou o jantar sobre o fogão e, às onze e meia, como o casal não chegou, foi-se deitar. Não dormiu de imediato, estava ansiosa para saber o resultado da conversa entre Irene e Jorge, agora mais do que nunca precisava que ele e Irene a aceitassem como mãe de aluguel, o jogo era alto, mas ela não tinha nada para perder, portanto, o que ganhasse seria lucro.
     
    (*Apenas uma brincadeira do autor parodiando a um amigo carioca. Ele se diz: -  "corno aceitante”.
                                                                                            Continua na próxima sexta-feira.
     
      Valdemiro Mendonça
    - O Trovador -  

     

     
    Perereca pererecando
     
     
    Escultura formada mulher
    criança jogando pesado,
    ela num lado da balança
    um mundo do outro lado.
     
    Um pouquinho de pureza
    por um tanto de pecado,
    perereca tomando banho
    a cobra olhando de lado.
     
    Pular na folha de inhame
    pode ser uma maravilha,
    mas o sapo está em cima
    já abrindo sua braguilha.
     
    Situação de muito impasse
    Sem saber onde é o escapo
    dum lado o rolo da cobra
    e do outro o pinto do sapo.
     
    Resta ainda o último recurso
    mergulhar e sair nadando,
    ver  a cobra comer o sapo
    e sair na boa pererecando.
     
    Ou até se vestir de lingüiça
    e levar a cobra no embalo,
    e daí se a mula é manca?
    Eu quero é andar a cavalo.
     
      
     Valdemiro Mendonça
    - O Trovador -  
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    June 01

    QUER ALUGAR A BARRIGA? - Capítulo V

     
     
     
     
    Quer alugar a barriga?
    Uái, se pagar bem!
     
    Capítulo V 
     
    Um garçom veio atendê-los e Marcela pediu um refrigerante, Marcos pediu o mesmo para fazer companhia, uma gentileza a mais com a garota. Depois de servidos, Marcos pediu a ela para lhe falar um pouco da sua vida. Marcela pensou antes de falar, estava se tornando um hábito pensar antes de responder qualquer coisa, assim conseguia controlar a língua e, como uma atriz bem ensaiada calculando cada frase e esforçando-se para parecer natural, disse: - Não tenho muita coisa para dizer, sou um garota do interior de Minas Gerais, pobre de marré–marré, riu e continuou: - Minha mãe não teve a mesma vontade de tia Irene, casou-se com meu pai e ele nunca foi muito ligado a dinheiro, vivemos muito modestamente, embora sem que nada nos falte.
     
    - Mas agora tia Irene me ofereceu a chance de voltar a estudar e... bem, tem algo que eu gostaria muito de fazer por ela, mas não posso lhe contar. Olhe senhor Marcos... - ela fez uma  pausa devido a um gesto de Marcos que lhe pediu para chamá-lo apenas de Marcos, pois iria se sentir mais velho do que já era, ela emendou: - Que velho? Estou vendo um homem vivido, mas cheio de charme e juventude, e vou chamá-lo de Marcos como quer. Bem Marcos, sorriu e continuou - espero que as pessoas que eu estou conhecendo aqui esta noite não se decepcionem comigo, principalmente você, que está sendo tão gentil e me proporcionando uma noite de sonhos.
     
    Marcos perguntou se ela tinha namorado? Ela disse que já tivera, mas só namoro de criança, seus pais, quando falava que estava namorando, já queriam logo saber se o rapaz era sério, se estava disposto a se casar e se era trabalhador, acabou desistindo dos namoros, pois não pensava em se casar para ficar morando no interior e ter a mesma vida da sua mãe. - E agora já falei muito de mim, fale de você que deve ter uma vida interessante para contar. Marcos disse: - Está bem, mas minha vida é mais de trabalho e viajando sempre, quando consigo ficar alguns dias no Brasil, eu aproveito para rever os amigos como hoje. Marcela aproveitou a pausa e disse: - E também para  namorar - e riu, ele retrucou com uma pergunta: - Por que, estou lhe namorando? ela riu e disse: - Acho que está. Os dois riram com gosto e Marcos continuou.
     
    Sou separado da minha esposa, as coisas não estavam mais dando certo e achamos que era hora de cada um seguir seu caminho, ainda não encontrei ninguém que me fizesse pensar de novo em relacionamento sério, mas tenho me sentido só, embora esteja sempre acompanhado. Marcela mais uma vez falou com cuidado... – A vida só pode ser boa por algum tempo, eu acho... ainda sou muito jovem para saber com certeza, mas duas pessoas que estão se dando bem e criam uma cumplicidade, deve ser como um conto de fadas. Ele disse: - Marcela, você seria capaz de se relacionar com um homem mais velho? – Claro! ela confirmou, - se fosse alguém assim como você! Ele ia continuar, mas ela de súbito, agora como uma atriz disputando o Oscar, fez um gesto com as duas mãos espalmadas e ficou, acreditem... ruborizada, aquele foi o golpe fatal no coração do ricaço.
     
    Antes que ele falasse, ela disse: - Por favor, não me entenda mal, eu sou uma tonta, eu queria dizer que sim, mas com uma pessoa gentil e que assumisse um compromisso de me fazer feliz, e falei de você por que me fez sentir isto, mas, ah desculpe-me Marcos, estou cada vez me enrolando mais. Ele mais que depressa, num gesto quase como protetor, segurou suas mãos e disse: - Calma, está tudo bem, eu me senti lisonjeado e não quero que você mude o homem mais velho, riu - Na verdade, eu quero ser este homem mais velho sem apressar você. Ela ouviu, sorrindo para dentro, mas continuou fingindo-se constrangida. Ainda ruborizada, ela sorriu de leve e pediu: - Marcos, me leve para dançar? Ele se levantou e, educadamente, se posicionou atrás da cadeira dela dizendo: - Claro que sim, eu estava também pensando nisto.
     
    Ela se levantou e ele afastou a cadeira, depois desfilou orgulhoso para o centro da pista, e dançaram uma seleção inteira de boleros até o final. Quando terminou, ela disse: - Poderíamos fazer um pouco de companhia para o tio Jorge e tia Irene, mas quero que você fique lá comigo, pode? – Claro, respondeu Marcos babando mais que quiabo na boca de esganado. Ah como os velhos são crédulos, principalmente os milionários que se acham os donos do mundo. Ao se aproximarem, Irene perguntou sorrindo: - O lobo mau seqüestrou chapeuzinho vermelho? Marcos disse: - Que isto, estou mais para a vovó, riram e sentaram-se, e o resto do baile ficaram jogando conversa fora, duas horas e meia como era costume, os convidados começaram a despedir-se, Marcos pediu licença e foi par o palco, onde agradeceu a todos os convidados, e disse que em breve fariam outra festa.
     
    Jorge chamou Irene e Marcela para irem também, e quando se levantaram viram que Marcos veio até eles despedir-se. Depois de apertar a mão de Jorge e como sempre, beijar a mão de Irene, segurou a mão de Marcela com delicadeza beijando-a de leve e dizendo-lhe que gostaria muito de repetir a noite que fora agradabilíssima, e ouviu dela uma resposta de que também gostaria muito. Ele, percebendo que estava dando muito na vista, brincou: - Você precisa me ensinar de novo aqueles passos de bolero, ela disse que sim e foram-se, Marcos ficou com a sensação de que ela estava escapando, e que ele teria de dar um jeito de falar com ela de novo.
     
    Da porta de saída Marcela se atrasou um pouquinho do casal e virou rápido a cabeça, ele estava olhando para seu lado, acenou e abriu o seu sorriso mais bonito para o garboso ricaço, que mais uma vez ficou babando com cara de cachorro que ganhou um osso ainda com um pouquinho de carne. Depois de recuperar o carro, Jorge dirigiu calado para casa, mas Irene fez questão de perguntar sobre as intenções de Marcos, falou sorrindo e Marcela disse: - Esta parecendo mamãe quando arranjo namorado, falou e riu dando ensejo para que ela continuasse, Irene disse-lhe que era a primeira vez que o milionário dava assim tanta atenção a alguém numa festa. Marcela falou mais uma vez como a atriz que estava dentro dela: - Estou preocupada, o senhor Marcos me perguntou sobre nosso parentesco, e eu tive que confirmar a história de que era sua sobrinha.
     
    Jorge riu alto e entrou na conversa: - Agora é nossa sobrinha e não se atreva a dizer que não, ficaríamos com cara de tacho. Riu de novo e Irene tranqüilizou a moça: - Não se preocupe, vai ser difícil vê-lo de novo. Marcela mais uma vez engoliu um sorriso e, mostrando exatamente o que ainda era, uma adolescente, pensou... duvido-de-o-dó, faço pou-que-o co. Quando chegaram em casa, Marcela agradeceu pelo presente de terem-na levado a festa e despediu-se do casal indo para seu quarto. Depois de tomar banho e colocar um conjunto de dormir de rendas, deitou-se e repassou os acontecimentos da noite. Satisfeita, sorriu feliz, fechou os olhos e adormeceu.
                                                       
                                                                                            Continua na próxima sexta-feira.
     
      Valdemiro Mendonça
    - O Trovador -  
     
     
     SONHOS DE PERERECA
     
     
    Fechou os olhos e sorrindo
    desejou o vestido rodado,
    se viu em meio as estrelas
     nos braços do seu amado.
     
    Cada volta que ia bailando
    sentia seu mundo crescer,
    segurou-se no raio da lua
     porque não queria descer.
     
    Durante o dia era perereca
     a noite  se desencantava,
     transformada em princesa
    se um príncipe lhe beijava.
     
    O príncipe grande amante
    amava a princesa sapeca,
    para não sofrer ao acordar
    e virar de novo perereca.
     
    Ele lhe prometia tesouros
    as estrelas, a lua e o vento,
    que ela deixava guardados
    nas dobras do pensamento. 
     
      
     Valdemiro Mendonça
    - O Trovador -  
     
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    May 25

    QUER ALUGAR A BARRIGA? - Capítulo IV

     
     
     
     
    Quer alugar a barriga?
    Uái, se pagar bem!
     
    Capítulo IV 
     
    Quando a orquestra terminou a valsa, o milionário não mostrava sinal de cansaço e a acompanhou até a mesa do casal. Cumprimentou efusivamente Jorge e Irene e elogiou a performance de Marcela para dançar, fazendo-a  prometer que dançaria novamente com ele, ela aceitou e, após mais algum tempo de conversa fútil, ele se retirou com o pretexto de dar atenção aos outros convidados, antes falando para Marcela: - “Aproveite para dançar com os bonitões que você quiser, porque depois é comigo e eu não me canso fácil” - riu do próprio comentário e ouviu de Marcela: - “Então vamos dançar a noite toda, eu também não me canso”.
     
    Quando ele se foi, as garotas vieram logo perguntar pela dança com o maior partido da festa, ela riu e disse - “Eu nem sabia que ele estava disponível” ao que Ana retrucou – “Ele está solteiro, e é a primeira vez que dança com alguém que ele conheceu no mesmo dia”. Marcela riu seu riso cristalino, e apenas respondeu que ele só quis ser educado, agora quem riu foram as duas garotas fechando o diálogo com um -” isto vai dar casamento” - Marcela mostrando a que veio disse: – “Eu sou solteira e topo qualquer parada, desde que seja abençoada pelo padre e o Juiz”. Irene e Jorge que tinham ouvido a conversa riram também, mas Jorge não deixou de ter uma pontinha de ciúmes. O páreo seria duro, embora ele estivesse com a vantagem.
     
    Júlia e Ana a apresentaram a vários rapazes que começaram a disputar o direito de dançar com ela. Marcela estava feliz e transmitindo esta felicidade com sorrisos brejeiros, tentando agradar a gregos e troianos, festa de rico, o homem e a mulher mais feios se tornam tão elegantes e belos como se a beleza de uma pessoa estivesse na roupa e na forma afetada de se comportar ao falar, caminhar, rir e até mesmo no olhar. Talvez por isto o jeito simples, a beleza e a juventude da mineirinha estivessem agradando a todos
     
    Jorge e Irene se aproximaram dançando dela e do seu par, um rapaz alto e simpático com um terno moderno de corte italiano e cabelos claros e lisos e muito falante, que tentava jogar mais charme do que tinha para cima da moça, se tornando um pouco desagradável, pois falava de muito perto e tinha hálito de peixe morto temperado com Whisky.
     
    Irene percebeu o constrangimento da garota e falou com Jorge, combinaram de separar os dois, aproximaram-se e Jorge praticamente intimou o rapaz a deixá-lo dançar com a garota, enquanto sua esposa dançaria com ele. O moço ainda jovem, todo solícito, não se opôs, sabia que o empresário era figurão e Irene era uma bela mulher. Depois dançaria de novo com a garota! Jorge aproveitou para falar quase sem abrir a boca, o suficiente para ela entender. – “Quero você e não importa quanto terei de pagar por isto, segunda-feira Irene vai recomeçar a trabalhar e vou dar um jeito de ir em casa para ficarmos sozinhos, tudo bem para você?” - Marcela demorou um pouquinho para responder, e quando o fez, Jorge ficou até vermelho, porém não perdeu a pose.
     
          - “Sr. Jorge, vou ser o mais objetiva possível. Não sou tão ingênua como pareço, sei tudo sobre sexo, embora nunca o tenha praticado, acho que este lance de virgindade é apenas fazer sexo a primeira vez. Eu não vou ser hipócrita negando que também não me sinto atraída pelo senhor, é um homem bonito e na idade que encanta qualquer mulher, mesmo as jovens sem nenhuma experiência como eu. Claro que o sonho de qualquer garota é que o primeiro homem da sua vida seja aquele que faça sua primeira vez ser lembrada pelo resto da vida, mas o senhor é um homem casado com uma mulher que está me tratando melhor até do que minha mãe, e mesmo tendo os mesmos desejos que o senhor, eu tenho que pensar nas conseqüências dos meus atos. Se o senhor quiser ir lá, é sua casa e eu não iria ter a pretensão de dizer-lhe para não ir. Mas, fique claro isto, não faremos nada as pressas que venha atrapalhar seu casamento com dona Irene, e nem desgraçar minha vida com um ato impensado.
     
    Jorge estava pasmo, não esperava esta reação de um garota que ele acreditava ser ingênua e que falou uma porção de verdades sem estar pensando para falar. A música terminara e foi preciso Marcela chamar a sua atenção, pois estava distraído e pensando nas palavras da garota, separou-se dela e ainda falou: - “Certo, você tem razão, mas vou assim mesmo para conversarmos”. Ela disse-lhe que estava tudo bem e caminhou junto com ele em direção a Irene, que tinha deixado o tal rapaz e vinha ao encontro dos dois. Irene estava rindo e falou: - “Você me deve uma e ao Jorge, o cara tem um bafo de onça danado”. Os três riram e foram sentar numa das mesas e perto do bar, logo um  barman veio saber se queriam alguma bebida, ele pediu uma dose de absinto e uma garrafa de água tônica, Irene lembrou a ele que teria que dirigir, e ele brincou que Marcela poderia levar o carro. Marcela riu com gosto e disse: - “Se confiarem, o que não me falta é coragem. Já dirigi até o caminhão do meu pai”. Irene não concordou, rindo ela disse que era ainda muito jovem e não se sentia ainda pronta para morrer. As mulheres pediram refrigerantes e logo foram servidas, enquanto a orquestra parou para um descanso de meia hora, convidados por Marcos para beberem alguma coisa e fazerem um lanche junto com os convidados, ele próprio sentou-se com eles por um instante para que ficassem a vontade, estes pequenos gestos faziam-no se sentir bem e garantia o atendimento de todos com alegria, pois se sentiam importantes sendo tratados com respeito pelo ricaço. Logo pediu licença e foi fazer a via sacra, andando de mesa em mesa e procurando saber se todos estavam bem servidos, e aproveitava para divertir e se divertir com os convidados.
     
    Disfarçadamente, algumas vezes olhara para a mesa onde estava Marcela visivelmente interessado. A garota o impressionara, e a muito não se sentia assim tão encantado por alguém, mulheres de todas as idades se atiravam em seus braços e ele levava para a cama quantas aparecessem, mas sentir aquelas sensações de quando ainda era adolescente era difícil, e na verdade, esta era a primeira vez desde que se separara de sua esposa já há mais de seis anos. Ficou afastado dela até que os músicos retornaram ao palco, e só aí se dirigiu para a mesa onde chegou com um largo sorriso e se sentiu confiante quando a linda garota fixou o olhar no seu e o recebeu com um sorriso, disse dirigindo-se aos três: - “Vim buscar alguém que saiba dançar de verdade para me ensinar” - Marcela sorriu e disse – “Estou pronta e nem cobrarei pelas aulas”. Marcos pediu licença a Irene e a Jorge e se afastou com a garota.
     
    Irene falou: - “Estou enganada ou o Marcos está arrastando asa para a nossa... bela sobrinha?” riu do “bela sobrinha” e esperou Jorge responder. Jorge não demonstrando, mas sentindo-se enciumado disse: - “Não sei, mas não me preocupa, ela deve saber se cuidar, Irene sentiu uma diferença na entonação na voz do marido, mas pensou que ele estivesse apenas sendo prático, ou talvez o fato de tê-la apresentado como sobrinha o fizesse mais responsável pela garota. Ficaram observando os casais dançando e cada um com seus pensamentos, Irene vira uma amiga grávida com uma enorme barriga, e isto a fizera sentir novamente o desejo de ter um filho seu, num gesto maquinal virou a cabeça e procurou por Marcela, inconscientemente já tinha formado uma idéia que, a partir daquele momento, ia tomar conta da sua cabeça e vontade, olhou mais uma vez a alegria de Marcela dançando.
     
    Marcos queria falar o que estava sentindo para a moça, mas ele que nunca se importava se ia ou não agradar a uma mulher o que dissesse, estava pensando se não faria um papel ridículo, tendo a pretensão de tentar conquistar uma garota que poderia ser sua neta. Quase que adivinhando os pensamentos de Marcos, Marcela falou sabendo que estava sendo ousada e poderia ser confundida com uma interesseira: – “Pensei que tinha me esquecido, demorou para voltar” - ele até engasgou e respondeu aos trancos: “Desculpe-me, eu tinha que atender aos convidados, mas se você quiser eu não me afasto mais de você” - a esperta garota tratou logo de tapar o furo que poderia ter deixado: - “Eu gostaria sim, é que os rapazes mais jovens nem sempre são cavalheiros, e eu sou tímida.
     
    Marcos perguntou se alguém tinha lhe faltado com o respeito, ela disse: - “Não Senhor Marcos, são coisas de homem e nada que eles me digam vai me escandalizar, faço eles entenderem que tenho minhas metas, e isto não inclui fazer sexo por fazer”. Marcos perguntou se ela não gostaria de sentar á mesa com ele para conversarem um pouco mais, ela disse que gostaria muito, e quando a musica terminou ele caminhou com ela para a mesa e ofereceu-lhe o braço, ela aceitou e todos os olhares caíram em cima dos dois. Jorge neste instante de costas para os dois não viu, mas Irene falou para ele: - É, acho que você acertou quando disse que corríamos o risco de perder a empregada” - ele não olhou de imediato, mas discretamente virou-se e ainda viu o casal se aproximando de uma mesa vazia, e Marcos soltando o braço da moça afastou a cadeira para ela sentar-se, pensou... como é gentil este meu amigo.
     
                                                                                            Continua na próxima sexta-feira.
     
      Valdemiro Mendonça
    - O Trovador -  
     
     
    Está perdoada
     
    Os lobos famintos caçando a presa
    chapeuzinho vermelho ri dos bobos.
    Se eles não forem bastante espertos,
    Será ela quem vai comer estes lobos.
     
    Baba baby, baby baba, e vão babar
    pela prenda da quermesse no leilão,
    casa  comida e um filhote todo ano
    casamento viagens e meu coração.
     
    Da janela refletindo-se na bela lagoa
    uma lua cheia vai clareando ao léu,
    promete para  quem com ela nadar
    que ela o carrega para morar no céu.
     
    Se há traição não sou eu a culpada
    Tem alguém com culpa bem maior.
    eu não inventei nenhuma das regras
    fiz o que acreditei ter sido  o melhor.
     
    Sempre se pode perdoar os pecados
    principalmente se é feito para o bem
    fiz muitas pessoas viverem mais felizes
    aproveitei para ser mais feliz também
     
      
     Valdemiro Mendonça
    - O Trovador -  
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    May 21

    QUER ALUGAR A BARRIGA? - Capítulo III

     
     
     
     
    Quer alugar a barriga?
    Uái, se pagar bem!
     
    Capítulo III 
     
    As garotas voltaram do toalete e Marcela se juntou a elas e, neste momento, Neide anunciou a entrada dos últimos convidados. Logo após, entrou no recinto, e com um microfone sem fio na mão, anunciou a entrada do anfitrião, que foi recebido com grande ovação pelos presentes. Dirigiu-se ao palco, onde a orquestra estava pronta para o baile que seria logo depois da exibição do filme. Cumprimentou a todos agradecendo a presença, e falou do filme:
     
    - “Pessoal, este filme está estourando os recordes de bilheteria e não duvido nada que seja o ganhador do próximo Oscar, o titulo é: “De volta para o Futuro”, Assisti na casa de um amigo em Dallas e quero ver de novo, aproveitem que ainda vai demorar o lançamento no Brasil, sentem-se, e enquanto assistimos, vamos tomando alguma bebida e aquecendo o corpo para o baile”.
     
    O enorme salão de festas não estava com sua lotação total, os convidados foram escolhidos e listados pelo próprio Sr. Marcos, e eram apenas os seus colaboradores e amigos mais próximos. Os sofás macios e a pompa do salão fizeram Marcela pensar que fora para aquela vida que nascera, não desistiria de tentar qualquer coisa para ser uma freqüentadora daquele ambiente. Jorge e Irene foram sentar junto as três moças, e Jorge fez exatamente o que Marcela esperava que ele fizesse, sentasse entre ela e Irene, suspirou baixinho e pensou... meu futuro chegou, riu com os olhos e deixou a boca fechada para rir mais tarde.
     
    As luzes se apagaram e o vídeo cassete começou a rodar, projetando as imagens no telão de primeiro mundo, Marcos mandou o rapaz que estava operando o vídeo eliminar as propagandas de outros eventos, e o filme esperado começou a rodar, o filme já estava legendado, graças aos incontáveis amigos do empresário que não negavam a ele qualquer favor, visto que ele sempre recompensava de uma ou outra forma quem lhe servisse. O filme realmente prendeu a atenção de todos, e Marcela ficou vidrada na tela, mas não deixou de sentir a perna de Jorge de vez em quando fazendo pressão na sua coxa, aquilo a excitava, ainda mais porque estava sem encostar em homem desde que saíra da sua casa.
     
    Tinha que continuar a fazer seu papel de menina certinha para Irene, mas precisava fazer Jorge saber que estava entendendo o jogo, sutilmente, quando a sala ficou mais escura, forçou sua perna contra a perna dele, e ele sem perder tempo fez a mesma coisa, ela sorriu e continuou prestando atenção ao filme. Este joguinho foi excitando os dois a ponto de Jorge quase cometer uma imprudência. Num momento em que uma tempestade armou-se no filme, por um instante a sala ficou totalmente escura, e Jorge sem se conter tentou beijá-la, mas ela esperta safou-se, abaixando o corpo e fingindo arrumar alguma coisa no sapato. Foi uma sorte, pois logo o salão se iluminou quando uma chuva de raios na tela provocou não apenas brilho, mas barulho de trovoada forte, o que alvoroçou os convivas, fazendo-os movimentarem-se em sussurros e até risos abafados no salão.
     
    Jorge percebeu a besteira que ia fazendo, e pensou que a garota o salvara de dar um vexame, tinha que ser mais cuidadoso ou acabaria em palpos de aranha, a cabeça de cima pensa, a de baixo é sem juízo nenhum. Se sua mulher desconfia que ele esteja a fim de papar a empregada, ela roda a baiana e adeus casamento tranqüilo. Não que ele fosse fiel a Irene, mas procurava não deixar furos, sua esposa era sua dedicada amada amante, não merecia ser traída, mas como isto é próprio de macho, e nisto ele era bom, não ficava com dor na consciência. Bem... algumas vezes Irene andou desconfiada e fazendo perguntas, demonstrando ciúmes, mas nunca chegaram a discutir por isto, gostava dela, mas gostava das mulheres e achava que não iria para o inferno se pegasse duas diferentes por semana.
     
    Quando terminou a exibição os convidados bateram muitas palmas, demonstrando ao anfitrião que mais uma vez ele era o dono da festa, mesmo algum que nem tinha entendido o filme aplaudiu entusiasticamente, pois para o dono das notas verdinhas, palmas nunca eram demasiadas. Todas as luzes estavam acesas e mais uma vez Marcos, cinqüentão bom vivan foi ao microfone, e depois de brincar com os presentes, fez uma das suas tiradas que ele sabia divertir os convidados, anunciou que ia iniciar o baile dançando com alguém bem jovem, estava com saudades do perfume do viço, que só os jovens têm.
     
    Marcos não se sentia velho, seu porte atlético resultado de uma vida sempre correndo atrás dos negócios que não deixava tempo para engordar, e nem mesmo ter uma barriga saliente, pois uma das suas atividades extras fora do trabalho era a natação, que fazia com gosto, já que tinha participado de uma olimpíada nesta modalidade, e mesmo não tendo recebido medalhas, fora o quarto colocado, e ele se lembrava com muito orgulho. Encerrando sua fala, ele apontou para Marcela e disse que ela seria sua parceira se he concedesse a honra de dançar com ele uma valsa. Marcela olhou para os patrões como se pedisse socorro, e foi animada por Jorge e Irene que perguntaram se ela sabia dançar, ela confirmou e ouviu de Jorge secundado pela esposa, vá lá e não tenha medo, ele não morde.
     
    Marcela se levantou, não tinha medo, sabia dançar qualquer ritmo, aprendera com suas amigas e namorados nas furrupas realizadas em sua cidade(furrupas: danças realizadas em casas de família - sarau na casa de ricos, furrupas em casas modestas). Marcos desceu do palco e atravessou o salão em direção a moça, que abriu o seu sorriso mais lindo para recebê-lo, ele, um gentleman, primeiro a cumprimentou, pegando delicadamente sua mão e dando um beijo, apenas roçando seus lábios na pele macia de Marcela, que sentiu um arrepio de tesão por aquele homem que mais parecia um Deus, e representava o mundo que ela gostaria de fazer parte, ela agora era uma princesa, depois da meia-noite voltaria a ser perereca... sem mágoas.
                                                                                            Continua na próxima sexta-feira.
     
      Valdemiro Mendonça
    - O Trovador -  
     
     
    Rodopiando
     
     Como se deslizasse em nuvens brancas
    ou como uma pluma ao sabor do vento.
    Era um sonho de meninice a se realizar
    passar sua vida entre aquele momento.
    ficar a torcer para nunca mais acordar.
     
    Era a própria felicidade que a movia
    levando-a para um mundo encantado.
    Enquanto rodopiava por todo salão,
    eram passos largos, porém delicados,
    no ritmo das batidas do seu coração.
     
    Entre o riso numa euforia disfarçada,
    De ser parte de um mundo de alegria.
    e entre as notas com som de seresta
    a noção da realidade exata, se perdia.
    no perfume mágico que exala da festa.
     
    É som gostoso de sinos de Papai Noel,
    a neve caindo como flocos de algodão
    Embalando os sonhos de moça menina
    valsando ao sabor de uma doce canção,
    dentro de uma bola de cristal pequenina.
     
     
     Valdemiro Mendonça
    - O Trovador -  
    Visitem minha Coluna na GI!!
     
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    "RIMAS & PROSAS"
    Valdemiro Mendonça
    (O Trovador)
    Prosa & Verso
    Semanal (6ª Feria)
     
    May 11

    QUER ALUGAR A BARRIGA? - Capítulo II

     
     
     
     
    Quer alugar a barriga?
    Uái, se pagar bem!
     
    Capítulo II 
     
    Nas duas semanas que se seguiram, Irene que ainda estava de férias, foi lhe ensinando os meandros de uma boa funcionária do lar. Marcela levava tudo na mais perfeita calma e, ao mesmo tempo que pensava em se dar bem, os valores de honestidade e moral recebidos dos pais e parentes pobres, mas probos, faziam com que ela pensasse até em desistir de ficar na casa de Irene e perto das tentações. Por ficarem sozinhas, Irene acabou por confidenciar mais coisas do que deveria a uma simples empregada. Marcela era como um gravador, prestava atenção nos detalhes e, algumas frases soltas dita durante as conversas e que pareciam sem importância, eram analisadas cuidadosamente por ela, nada se perdia.
     
    Um dia, quando mostravam na TV uma reportagem de mulheres que não podiam ter filhos e estavam apelando para a fertilização in-vitro, ela ouviu um suspiro de Irene junto com a frase:  - “Acho que é o que eu vou tentar fazer”. Como Irene não se dirigira a ela, ficou calada, mas as palavras ficaram martelando na sua cabeça. Na primeira vez que ficou sozinha no apartamento, numa noite em que o casal saíra para jantar fora e, como não era a primeira vez, a moça sabia que só voltariam tarde e de pileque. E não podia deixar uma chance de saber coisas que poderiam fazer dela alguém melhor do que uma simples empregada doméstica. Estava por sua conta e risco, sem a proteção do papai e mamãe, pensou e lembrou-se da mãe, não lhe dera noticias, e ainda não decidira se faria isto.
     
    Foi revirar os guardados dos patrões, tinha o cuidado de decorar primeiro as posições dos objetos, depois de satisfeita colocaria tudo como estava na mais perfeita ordem. Já tinha feito isto de outra vez, mas apenas por curiosidade, desta vez tinha um objetivo: “descobrir a causa do suspiro de Irene. Fuça aqui, arruma, vai noutra gaveta, faz o mesmo, até que numa gaveta encontrou uma porção de papéis e um pacote de notas de dólares, que era uma boa quantia, entre os papéis tinham exames médicos e viu uma infinidade de exames de gravidez. Nenhum deles positivo, continuou procurando e descobriu que Irene era dada como estéril, guardou tudo como estava e foi ver televisão, mas incomodada com as informações, desligou e foi-se deitar, demorou a dormir e ficou matutando... o que lhe valeria no futuro a descoberta? Esperaria com calma, era jovem, tinha tempo, e a pressa é má conselheira, riu... "ditos mineiros."
     
    Irene, a medida que convivia com Marcela, foi cada vez mais gostando e confiando nela e se abrindo, contou que trabalhava numa grande empresa e que não dependia do marido. Era uma engenheira civil brilhante e, apesar do marido insistir para ela não trabalhar, não abria mão do seu emprego muito bem remunerado. Tinha pavor de avião e não gostava de dirigir, sabia e era habilitada a dirigir, tinha seu próprio carro, mas era tão pouco usado que, apesar de tê-lo comprado há mais de ano, parecia ter saído da concessionária naquele dia. De vez em quando falava uma a duas palavras referentes a filhos, Marcela espichava a orelha, mas ela sempre se calava, como se tivesse medo de tocar no assunto. Mas falara sobre a agência de imóveis do marido com filiais em todas as grandes cidades do país, eram como ela dava a entender muito ricos.
     
    Era sexta-feira e Jorge chegara cedo. Tinham combinado de ir ver um filme que estava sendo lançado nos Estados Unidos, e um amigo seu trouxera uma cópia para fazer uma média com os amigos no Brasil. Irene expressou a Jorge o fato de Marcela ficar sozinha no apartamento, ele disse que não haveria mal em levá-la, desde que não a apresentassem como empregada. Poderiam dizer que ela era uma sobrinha de Irene, e que estava no Rio para estudar, claro que a moça concordou logo, mas fez charminho: - “Ah seu Jorge... vão o senhor e dona Irene, eu não tenho nenhum vestido para ocasiões assim, e não fica bem uma sobrinha ir mal vestida”.
     
    Imaginem... roupa era o que Irene tinha sobrando, e tudo de grife até internacional. Levou logo a moça para o quarto e, num minuto, a perereca virou princesa e sem beijo de príncipe. Um vestido longo de cor bege ascendendo para o marrom, com etiqueta de Dior e com uma boina ao estilo Che Guevara azul bem claro, um sapato de salto médio, claro... “uma sorte ela ter o pé trinta e seis igual ao de Irene”,  uma bolsa delicada com uma orquídea pintada em cada lado. Batom, ela usou o seu, pois os de Irene eram claros, e para ela com a pele morena clara, ficavam bem tons mais fortes. Escolheu uma cor vinho e Irene espargiu um borrifo de perfume suave que não agredia, e combinava com seu aspecto juvenil. Pensou... levar empregada em festa é muita comodidade, mas, pode servir para alguma coisa. “Era a lei de Gerson funcionando, levar vantagem em tudo”.
     
    Quando saíram, Jorge tremeu na base, vinha já alimentando uma vontade de dar uns agarros nela e, apesar de se mostrar sem afetação, a menina deu um banho de beleza, charme e até elegância, se tinha uma coisa que Marcela sabia bem, era sobre desfiles de moda que acompanhava pelas revistas da época, era inteligente e sabia como deixar os homens zonzos sem matar de uma vez, notou todo o interesse do patrão, sem dar a entender que estava sequer olhando para ele, ele foi sincero quando disse: - “Nossa, que transformação, vamos perder a funcionária, vão pedir esta moça em casamento com certeza!”
     
    Irene tinha confiança no marido e concordou emendando: - “Está mesmo linda Marcela”. Ela fingindo-se tímida agradeceu, e já dentro do elevador sentiu a proximidade de Jorge que, se fingindo de bobo, encostara nela e fez uma pressão com o corpo para que ela percebesse, tudo sem deixar de afagar o ombro de Irene, como se só ela estivesse ali. Foram direto para a garagem e saíram no Mercedes conversível prata, com bancos de couro e forração brancos, um luxo ostentado por quem estava bem na vida, poucos num Brasil de miseráveis. O carro deslizou suavemente pela garagem e saiu a rua, causando inveja ao povo.
     
    Jorge dirigia o carro com segurança pelas ruas com muito movimento naquele horário. Encostou o Mercedes na frente de um portão com gradil altíssimo de uma mansão em Santa Tereza que, embora começasse a perder o status de bairro nobre, ainda abrigava a nata da sociedade carioca. Desceram do veículo e um rapaz se aproximou cheio de ginga típica do povão para receber as chaves, chamando Jorge de doutor e demonstrando conhecer o empresário, que era assíduo freqüentador da mansão, comparecia a quase todas as festas, convidado pessoalmente pelo anfitrião que conhecia seus parentes e amigos na Europa.
     
    O portão de entrada se abriu e, o porteiro com uma reverência, cumprimentou a todos fazendo um gesto estudado e gracioso, indicando o caminho. Jorge dera o braço à Irene e fez o mesmo com Marcela, mas desta vez, sem qualquer sinal de segundas intenções. Sabia que os empregados eram argutos e qualquer gesto mais ousado seria percebido por eles, o que colocaria sua história em dúvida, isto não seria conveniente, pois geralmente falatórios de criados acabam chegando aos ouvidos do patrão, e Jorge não podia ser pego em falhas que pudessem abalar a tão bem estruturada amizade com Marcos Sálvio Figueroa Riguith. O magnata da exportação de leite em pó para muitos países da Europa, e com negócios bem sólidos nos Estados Unidos e Canadá.
     
    Adentrara ao primeiro salão, e Neide, a recepcionista loura, dona de uma agência que fazia este trabalho, e era conhecida entre os ricaços do Rio, veio em direção aos convidados, cumprimentando-os com simpatia e mostrando também conhecê-los, perguntou: - “Quem é esta bela moça Irene?” Irene respondeu: - “É minha sobrinha, veio para estudar aqui e vai ficar morando em minha casa até se enturmar”. Neide perguntou o nome e elogiou a beleza de Marcela, dando-lhe as boas vindas ao Rio, e se afastando foi até a mesa de recepção, onde ela mesma anunciou os convidados com sua voz com timbre aveludado, como as anunciantes de aeroporto: - “O casal SR. E SRA. Carriso Lence e a sobrinha STA. Marcela Núbia Droser”, Marcela se sentiu uma princesa.
     
    Ela se sentiu uma princesa, e os convidados da festa a viram como tal, logo para desgosto de Irene, duas moças aparentando a idade da moça se aproximaram e a convidaram para acompanhá-las ao bar e pegar uma bebida. Marcela que tinha sido recomendada a não falar muito para não dar bandeira, não se preocupou com as recomendações, pediu licença e as acompanhou. Jovens se apresentam com tanta facilidade: - “Eu sou Júlia e esta é Ana, e você?” – “Eu sou Marcela, caipira mineira na cidade grande” - as moças riram e simpatizaram logo com a simplicidade da moça, chegaram ao balcão do bar sortido de todo tipo de bebidas e pediram ao barman uma bebida, ela pediu refrigerante mas, as duas garotas insistiram para que ela tomasse caipivódica e ela aceitou.
     
    Já tinha tomado bebidas alcoólicas, mas sabia que não podia de nenhuma forma correr o risco de deixar os patrões em situação embaraçosa. Fingia que bebia e, num momento em que Ana a convidou a e Júlia para irem ao toalete, ela se desculpou, e assim que elas saíram, foi até Jorge e Irene que lhe deram atenção sorridente, perguntando se estava tudo bem com ela e se estava a vontade. Ela respondeu que sim, e mostrando-se medrosa falou para Irene da bebida: - “Não estou acostumada dona Irene, tenho medo de ficar tonta” - Irene gostou de poder instruir a moça, afinal, demonstrava bom senso, e de certa forma respeito.
     
    Disse-lhe que era só não tomar muito e não teria problema, ela meio em dúvida olhou para o Jorge e ele falou, não se dirigindo a ela, mas a Irene: - “Deixe-a se divertir, se ela ficar de pileque faz parte da festa”. Irene que sempre concordava com Jorge, disse “é isso mesmo, nós cuidamos de você, não se preocupe, mas vá devagar”. Irene se perguntava se tinha agido certo, boas empregadas estavam tão difícil no mercado, que valia a pena até ter a moça como se fosse realmente da família, fazendo uma espécie de adoção e cuidando de todos os interesses da garota, inclusive lhe pagando os estudos, mas, isto teria que ser muito bem conversado. Estudantes tem idéias, idéias podem ser perigosas e seria uma pedra no seu caminho.
    Continua na próxima sexta-feira.
     
      Valdemiro Mendonça
    - O Trovador -  
     
     
     
    Mineirice Baiana
     
    O poeta maior disse meio que cismando...
    No meu caminho tinha uma pedra!
    O Trovador. Pequeno poeta meditando...
    Eu acho que esta pedra não é relevante,
    Pois a essência dentro da própria pedra
    é um relevo nos caminhos  do viajante.
     
    Sendo próprio do relevo paisagístico,
    ele pode afirmar com toda a convicção
    que tinha uma pedra no seu caminho.
    Se numa analise do ponto lingüístico,
    De toda analise do relevo em questão.
    A pedra estiver mesmo lá no caminho.
     
    Porém... esta mineirinha carioca e fajuta,
    dizer: seria uma pedra no meu caminho,
    desvirgina a pedra mudando o nome dela,
    pois a pedra que estaria no seu cantinho,
    deixou de ser uma pedra naquele caminho
    e foi transformada naquela tal da Marcela.
     
    É por isto que este trovador tão mineiro
    na mineralidade itabirística Drumondista
    dentro dos próprios mineirismo mineirais,
    Não admite o uso da frase que não é dela.
    Ela pode dizer: seu caminho tem Marcela...
    dizer: uma pedra no meu caminho, jamais!
     
     
     Valdemiro Mendonça
    - O Trovador -  
    May 03

    QUER ALUGAR A BARRIGA? - Capítulo I

     
         
     
     
     
    Quer alugar a barriga?
    Uái, se pagar bem!
     
    Capítulo I 
     
    O ano, mil novecentos e oitenta e cinco, tempo de abertura política no Brasil ditatorial. A nação acompanhando o modernismo do mundo estava aderindo á utilização do método de conceber, alugando uma barriga para gerar um filho, por razões de infertilidade de algumas mulheres que desejavam um rebento e não conseguiam engravidar. Claro que isto era para os ricos, pobre, se a mulher não pudesse, ficaria sem herdeiros.
     
    Marcela Núbia Droser era uma garota linda e até bem educada, cursara o primeiro grau completo, mas, por razões de geração em conflito, deixou sua casa em uma pequena cidade mineira após uma violenta discussão com o pai, que não aceitava saber que sua filhinha, criada com tanto amor e carinho desse até para os moleques dos vizinhos, dizendo-se adepta do amor livre.
     
    Isto era uma das filosofias trazidas pelos bichos grilos, que já tinha há muito caído em desuso, mas para quem nasceu no interior de Minas Gerais, era coisa de encher a boca: “sou a favor da mulher trabalhando e não dependendo de homem”. Era uma maneira de dizer que tinham colocado um fim aos milhares de anos de escravidão da virgindade feminina, e para quem teve esta coragem de sair na frente, o premio era pago muitas vezes em degradação total dos princípios morais.
     
    Bem, ela não tinha muita razão, o pai era um homem as antigas, mineiro radical e desinformado das novidades mundiais, que já começavam a usar o computador e valorizar a força do trabalho feminino. Assim, enquanto os jovens viviam as novelas, o cinema novo e as mudanças culturais facilmente assimiladas, mas sem nenhum preparo... e que iria provocar danos irreparáveis na geração brasileira do futuro, os senhores mineiros, já quarentões como o senhor Otacílio Droser, continuavam a ver a mulher unicamente como motorista de fogão a lenha.
     
    Queria para Marcela um bom casamento, que lhe desse muitos netos e por isto, nunca deixava faltar nada para a garota sapeca de dezessete anos, que tinha fogo na periquita, e achava que o mundo girava como um carrossel que parava para ela subir e descer, onde e quando ela determinasse. Quando de repente, o pai zeloso dos bons costumes mineiros descobriu que a filha só não dava para carrapatos por não saber qual era o macho, viu o seu mundo ruir.
     
    Foi o dia de se lavar roupa suja, sobrou até para dona Deusa por não ter informado ao chefe da casa as safadezas de Marcela. As mulheres mineiras desta geração também não acompanhavam a cabeça da juventude, e eram tão ou mais apegadas aos velhos costumes do que o marido, por isto sua reação foi chorar e lamentar a sua sorte, mas disposta a acatar as decisões do seu amo. Se ficasse contra o marido, seria taxada de conivente com a safadeza da filha por todos os parentes e conhecidos.
     
    O pai em desatino, expulsou de casa a filha. Triste, subiu na boléia do seu caminhão e foi à transportadora, onde conseguiu uma carga que o afastaria de cidade pelo menos por um mês. Voltou a casa e deixou dinheiro para as despesas enquanto estivesse fora, deixou também uma boa quantia para que a esposa entregasse a Marcela com recomendações expressas de que ela não deveria nunca mais voltar. No fundo tinha esperança que ela não fosse e acatasse sua decisão, mas não cederia agora, mesmo com os pedidos chorosos de Deusa.
     
    Marcela, sabendo que o pai partira, retornou à casa da mãe para recolher suas roupas e depois de muito choro saiu. Naquela noite se esbaldou, deu para a molecada toda, acabou dormindo na casa que servia de alojamento aos soldados, e durante o resto da noite deu para o cabo Aldir, que era casado, mas não morava na cidade e como era um tipo bonitão, Marcela aproveitou para matar a vontade. Desta vez ela não se contentou apenas em ser comida, comeu também como se estivesse vingando-se do pai.
     
    No outro dia levantou-se cedo e foi à rodoviária, onde comprou uma passagem para a capital mineira, que só estava nos seus planos como local de passagem, para ela era conveniente que as pessoas pensassem que era este seu destino, mas queria mesmo era ir para o Rio de Janeiro, onde as coisas estavam sempre acontecendo, quando chegasse lá veria o que fazer. Não estava com medo, era jovem, e juventude e coragem são parceiras.
     
    Tomou um copo de café e comeu um pão com manteiga, entrou no ônibus e, com um olhar que não conseguiu abranger toda a cidade porque era construída sobre morros, murmurou um adeus e prometeu que aquela cidade de merda não a veria mais. Chegou à Belo Horizonte por volta de treze horas e procurou o guichê que vendia passagem para o Rio de Janeiro, comprou para o horário de vinte duas horas, chegaria ao destino pela manhã e teria o dia inteiro para organizar-se e resolver suas necessidades mais urgentes, que era alojamento e comida.
     
    Passeou pela bela capital de ruas arborizadas enquanto aguardava à hora do embarque, comeu salgadinhos e tomou refrigerante, demonstrava segurança e perfeito domínio da situação. Quando embarcou, sentou-se na poltrona ao lado da janela, e dentro em pouco sentou-se ao seu lado uma mulher aparentando pouco mais de trinta  anos, seria sua companheira de viagem e, iria daí por diante ajudá-la a escrever mais um capitulo no livro da sua jovem vida, se para bem ou para o mal, só com o tempo iremos saber.
     
    Enquanto o ônibus rodava em direção a saída para o Rio subindo a Avenida Amazonas, ela permaneceu olhando para fora e procurando não pensar no dia de amanhã, a mulher ao lado puxou conversa, e logo as duas se entenderam e se apresentaram: - “Eu sou Marcela e estou de mudança para o Rio”, a outra respondeu: - “Eu sou Irene e moro lá desde criança, mas tenho parentes aqui e estava passando uns dias com eles”. Logo estavam contando suas vidas uma para a outra como velhas amigas.
     
    Marcela contou os motivos de sua ida para o Rio de Janeiro, e Irene se prontificou a ajudá-la, a moça muito esperta, viu ali a chance de ter um início mais fácil na nova localidade. Entre um comentário e outro, ela disse que gostaria de trabalhar de empregada doméstica, pois assim teria onde morar e comer. O que Irene não contou, é que tinha ido a Minas Gerais justamente para tentar trazer uma mulher que trabalhasse sem carteira assinada, e demorasse pelo menos três anos até que ficasse esperta e se associasse a algum sindicato da classe.
     
    Não demorou em se acertarem, até as condições de salário e da moradia no emprego foram aceitas por Marcela que, agradecendo disse: - “Deus está me ajudando, foi uma sorte grande encontrar a senhora logo agora que estou mais precisada”. O restante da viagem foi de muita conversa entre as duas, e a cada frase, Marcela procurava falar acentuando o sotaque mineiro, se Irene iria ser sua patroa era bom que pensasse que ela era uma caipira bem atrasada, assim ganharia sua confiança. Como Irene não perguntou, ela não disse a idade, e como era de porte alto, Irene deve ter imaginado que ela era mais velha. Isto lhe convinha.
     
    Logo que chegaram à rodoviária do Rio, Irene falou para que ela guardasse suas economias, pois suas despesas daí em diante seriam pagas por conta do emprego. Marcela não discutiu, na verdade, isto era tudo o que ela queria. Foram de táxi até o apartamento de Irene, um edifício antigo, mas muito bem cuidado, rodaram margeando algumas praias e Marcela fingiu surpresa com a vista do mar, exclamava as besteiras de sempre: -“Nossa, como é grande!” - Irene ria, e prometeu que em breve a levaria à praia. Mal sabia ela que sua cidade era quase na divisa com o Espírito Santo, e que todo ano o pai a levava com a mãe por uma semana as belas praias de Vitória, onde aprendera a arte de fazer-se atraente para os homens.
     
    Quando subiram ao décimo segundo andar, e Irene abriu o apartamento, Marcela ficou maravilhada com o tamanho, as cores e a beleza dos móveis, tinha certeza de que ia gostar de morar lá, ficou ainda mais alegre quando ocupou seu quarto que tinha banheiro, cama macia e guarda roupa. Irene disse para ela arrumar as suas roupas, o apartamento estava limpo e ela podia descansar, só iria trabalhar a partir do dia seguinte, pois era o dia primeiro do mês de setembro, e assim, seria mais fácil o acerto do pagamento. Ao olhar pela janela do seu quarto, avistou a lagoa Rodrigo de Freitas, perguntou para Irene se era o mar, Irene sorrindo, mais uma vez explicou com bom humor o que era.
     
    Para Marcela estava bom começar no outro dia, mesmo assim, quando dona Irene foi fazer o almoço, ela se prontificou a ajudar, e valeram as aulas de cozinha que recebera da mãe, depois não deixou a patroa limpar a cozinha, fez tudo e mostrou que seria a empregada perfeita para atender as exigências da casa. Irene foi para o seu quarto e dormiu até as dezesseis horas, acordou e encontrou Marcela vendo televisão. Marcela pediu desculpas por ter ligado a televisão sem permissão, mas Irene a tranqüilizou, disse-lhe que ela sempre poderia ver televisão desde que tivesse feito o serviço da casa.
     
    Ela tinha tomado banho e colocado uma saia cinza que mostrava suas formas juvenis bem feitas, uma blusa com decote em v e que deixava a mostra o inicio da divisão das seios, sem ser muito chamativo, para Irene ninguém iria se interessar muito pela figura da mocinha. Às dezoito horas a campainha tocou e Irene foi abrir, sabia que era o marido, que a abraçou com carinho mostrando que estava saudoso, Irene já tinha lhe falado da nova empregada que ela tinha trazido, combinara antes com Marcela que as duas tinham se conhecido na casa do irmão dela em Minas.
     
    Quando a viu, Jorge, um descendente de espanhóis do sangue quente, sentiu a pele queimar embaixo das roupas, cumprimentou a moça enquanto seus olhos a mediram de cima em baixo rapidamente, avaliando o potencial feminino, não deixou transparecer nada para a esposa, o aperto de mão suave pressionando e folgando por duas vezes, quase fez Marcela sorrir. Sabia que o bonitão, se estivessem ali a sós, a agarraria, mas fingiu bem o seu papel de mineirinha ingênua e quase virgem.
     
    Continua na próxima sexta-feira.
     
      Valdemiro Mendonça
    - O Trovador -  
     
     
    Temperatura temperada
     
    Bem, os óvulos já estão fecundados
    guardados no fundo do congelador
    agora fiquem de olho, sigam direito
    todas as recomendações do doutor.
     
    Moça, você leve este termômetro
    toda manhã antes de se levantar,
    enfia ele na...  pois é, na... isso, lá!
    Subiu o grau, venha me procurar.
     
    Doutor eu como mãe de proveta,
    Não faço nadinha só seguro vela?
    A senhora usa sua a boa vontade
      fique só enjoada e vomite por ela.
     
    Já que alugou a barriga madame,
    Por que se enfear preocupando?
     curta as festas com o seu maridão
    e deixe a outra se engravidando.
     
     
     Valdemiro Mendonça
    - O Trovador -  
     
    Inspiração de Deus
     
    Um dia estava Deus a pensar...
    Em seu coração o desejo imenso de criar...
     
    Alguém que Ele pudesse amar;
    Alguém que pudesse amar;
    Alguém que existisse para ser feliz.
     
    Então Ele teve uma idéia!
    Resolveu, com amor e ternura,
    criar você: por amor e para o amor.
     
    Nesse momento,
     Deus exultou de alegria em saber que você,
     do jeitinho que é, iria se tornar realidade.
     
    Assim, toda a criação esperou, radiante,
     para ver tamanha obra prima das mãos do Criador.
     
    E esse dia aconteceu.
     
    Você veio a existência e,
    para a alegria de toda humanidade,
    você nasceu.
     
    Você é importante, você é inspiração amorosa do Pai do céu.
    Seja feliz, hoje e sempre!!!
     
    Nós que fazemos a GI, seus amigos Colunistas, Leitores Amigos e Visitantes te desejamos nesta data tão especial (29/04/2007) muita saúde, harmonia, felicidades, grana, amor e tudo o mais que de melhor houver no mundo, pois vc merece isso e muito mais!
    Que esta data tão especial (29/04) se repita por muito e muito tempo!!
     
     
    April 27

    TROVADOR, TROVADOR! TOME JEITO HOMEM!!

     
     
     
     
    Trovador, Trovador!
     Tome jeito homem!
     
     
    Minha amiga Maka brigou comigo, e disse que minhas mazelas não saram é porque eu fico contando aquelas historinhas dos deuses, ela diz que eu vou ficar mais torto da coluna se continuar escrevendo sobre os deuses. “Ainda bem que praga de quem nos ama não pega”. Se não fosse isto, o Mirinho já estava pra lá de Bagdá.
     
    Mas eu falo é dos deuses criados pelos homens, para servirem a causa do poder, da ganância, da exploração de todos os que não tem coragem de criar um Deus para satisfazer suas próprias necessidades, assim seria mais fácil lidar com os pecados. É pecado matar, só não é pecado você matar se o cara matar você primeiro. “ hum... cansei”
     
    Os deuses gregos serviram aos romanos até bem, só mudaram de nome. Para o cristianismo eles não serviram, e como os europeus viram que seus deuses iam perder feio para os deuses do cristianismo, não só abraçaram a causa cristã, como relegaram seu antigos deuses á condição de mitologia.
     
    Bem, com o apoio de gente tão poderosa, os deuses considerados uniteístas, foram negociados, para formarem um único e poderoso Deus, que só não é completamente perfeito, porque o velho testamento não podia ser destruído, por fazer parte de todos os deuses, e aí meu amigo, era o deus dos judeus, deus de maniqueístas, dos filisteus, dos cananeus, dos hebreus, dos mordoqueus, dos jesebeus e muito mais...
     
    E tinham nomes diversos: EL é o mais antigo e depois vem: JEOVÁ, YAM, ELOHIM, ADONAI e mais uma porção, sem contar os deuses egipcianos, que eram bastantes e mais os indianos, africanos, todos renegados pelo cristianismo. Alguns sobrevivem com mais destaque, porque se identificam com outros nomes, tipos nomes de santos e anjos.
     
    Negociando com as tribos mais poderosas, conseguiram no toma lá da cá ir juntando os deuses até formar um só, mas quem tinha suas histórias gravadas em pergaminhos ou pele de animais ou em pedra, não aceitaram que se modificasse a história.
     
    Assim, se o meu EL fez o mundo em seis dias e descansou no sábado, esta história vai ter que ficar do jeito que EL escreveu, é, mas... o meu JEOVÁ, destruiu Gomorra e Sodoma e a torre de babel, e não aceito que se mude uma virgula. Pois, o meu ELOIM mandou o dilúvio e salvou Noé. Tudo acertado, a partir de agora só tem um Deus
     
    E ai, o Deus ficou sendo bonzinho, vingativo, gozador, cansado, maldoso, escravagista, amoroso, senhor da guerra, justo, injusto, e de tantas acusações e defesas, e formas que arranjaram para ele, filho sem mulher e mulher que ninguém explica direito como é, na mesma hora que separa um para cada lado junta os três para resolver problemas que nós mesmo é que criamos, aí  ele sumiu. Quem sabe ficou com medo da humanidade que ele, num momento de fraqueza, criou?
     
    Prefiro dizer que: “Deus são todas as emoções que os seres vivos sentem”. No meu coração, na alma da Estela Maris,  na cabeça da Maka, na vontade da Amale e da Jacqueline, no sorriso da Maria Lúcia, nas crônicas da Milla, nos textos da Rosa, na beleza da Kika, nos livros infantis da Nina, no cantar do Olympio, nas fantásticas fadas do Robalinho e na bondade de todos os homens e mulheres de bem, Deus é amor.
     
    Perdão por não citar mais nomes, mas, “todos os meus amigos e minhas amigas de verdade são decentes e bons”. Deus também está nas emoções dos maus, e se supre das coisas destrutivas, e aí, mais uma vez muda de nome, sua excelência, “o Diabo”.
     
    Talvez a forma de explicar Deus seja esquecermos como o universo foi criado, já que ainda não é possível ao homem entender, e começarmos a pensar que, Deus quer que o esqueçamos e passemos a tomar conta de toda sua criação, e para isto temos que separar de vez os dois reinos, o bem e o mal irão entrar em guerra, quem vencer, se for o bem, fica com um Deus, se for o mal, fica com o outro Deus.
     
    Assim, se vencerem os bonzinhos, terão que ficar com o Deus chamado Diabo, porque se mataram todos os maus, agora eles é que serão os maus. Se forem os maus os vencedores, certamente destruirão toda a humanidade, e os dois deuses que se entendam lá em cima e que vença o melhor. Farei como Pilatos: “ lavo minhas mãos”
     
    Até sexta-feira, se ele ainda estiver legal comigo, mas vai estar sim, afinal... O meu Deus é amor.
     
    Um abraço,
     
     Valdemiro Mendonça
    - O Trovador - 
     
     
     
    Picuinhas
     
    Que isto sô? Meu Deus é maior que o seu!
    Ô cumpade, mas ocê deixa de sê besta sô,
    Como que pode Ser isto se Deus é um só?
    Nem tem menor nem maior, Deus é amô.
      
    Ah é, ocê tem razão, minha religião que é!
    Ô cumpade, que é que tem a sua religião?
    A minha é muito mais certa do que a sua!
    Cumpade eu num entendi a comparação.
      
    Mor de que ocê está me afirmando isto?
    Morde de que ocêis faz pecado todo dia,
    ocêis vai no forró, arranja outras muiés,
    depois ficam sarvos com três ave Maria.
      
    Ô cumpade nunca esperava isto de ocê,
    Fazer esta ignorância de igreja comigo?
    Aí cumpade ocê vai discurpá, mas cabou,
    qüessas ofensas, nóis num é mais amigo.
      
    Uai, se ta bão procê, pra eu ta muito mió.
    Ocê num entende, lá na igreja dos irmão
    as nossas muiés são santa, usam inté véu,
    nóis  inté já compremo um lote bão lá céu.
      
    Aqui cumpade num queria falá nesse trem,
    morde que eu num gosto da tar de picuinha,
    Mas as muiéradas da sua igrejinha de bosta,
    Só é certa lá dentro, aqui fora é tudo galinha.
      
    Ocê  fala assim morde cocê é um dispeitado,
    falá quarqué boca fala, quero prova, é aqui.
    E provo que já trepei com um montão delas.
    Pra fala a verdade até a cumade eu já cumi.
      
    Oi cumpade agora ocê falô foi uma besteira,
    ocê puxa o revorve que já to é meteno bala.
    Morde que ocê vai aprendê que pra sê homi,
    Tem que falá verdade e ter vergonha na cara.
      
    Gente, que isto, como é que pôde acontecer?
    Os dois se mataram bem lá na rua do quiabo.
    Gente eram tão amigos parecia serem irmãos,
    Oh meu Deus! Só pode ser armação do diabo.
     
      Valdemiro Mendonça
    - O Trovador -  
     
    Visitem minha Coluna!!
    "RIMAS & PROSAS"
    Valdemiro Mendonça
    (O Trovador)
    Prosa & Verso
    Semanal (6ª Feria)
     
     
    April 20

    O DEUS NÃO É SÓ BONZINHO

      
     
    Visitem as Colunas!!
     
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    "RIMAS & PROSAS"
    Valdemiro Mendonça
    (O Trovador)
    Prosa & Verso
    Semanal (6ª Feria)
     
    Robalinho.jpg
    "PARLAMENTO DO PICA PAU
    O FALATÓRIO"
    Manuel Robalinho
    Espaço Aberto
    Semanal (3ª Feira)

       
     
    QUERO APROVEITAR PARA AGRADECER
    AS MINHAS AMIGAS E NETAS
    AMALE E JACQUELINE
    PELO CARINHO
    COM O MEU
    BLOG QUE
    ESTÁ
    10
     
     
    Deus não é só bonzinho
     
    Não fiquem a toda hora falando o nome de Deus em vão, por que não é sempre que ele é bonzinho. Se ele cismar de querer que você faça algo e se por acaso você não o atender ou ficar com preguiça ou ainda achar que é muito difícil a tarefa, fique esperto que ele pode lhe mandar chumbo grosso e lhe castigar até você virar mendigo.
      
    As pessoas ficam incomodando Deus com cada coisa idiota que ele acaba desistindo de atender, imagine o torcedor fanático ficar pedindo para Deus ajudar o time dele ganhar, se Deus atende ele vai ser taxado de injusto, e aquele outro que quer que Deus o ajude a ganhar na loteria e nem tem coragem de fazer o jogo.
     
    Tem os que se reúnem numa igreja e arrumam a maior gritaria, pedindo tudo que lhe vem na cabeça, carro moto, casa, mulher... se tem? Tem uns cara de pau que pede duas, uma para casar velha e rica e outra jovem e bonita para ser amante. O pior é que as vezes o pedido se realiza, quem realiza, se Deus ou o Diabo é que não dá para saber?
     
    Na bíblia tem muitos exemplos de como Deus é bom e justo e as vezes (muito ruim) e continua sendo justo por que Deus é sempre justo, acariciando ou descendo o bambu, e atreva-se a dizer que ele não é justo, pode sobrar para você, como sobrou para o Jó, que nunca fez nada de mal, mas Deus cismou com ele, exatamente por ele ser sempre honesto.
     
    Ele sempre seguia os ensinamentos do pai, não batia na mulher, não judiava dos filhos, não comia as escravas, Ah: olhe bem como ele nem sempre era bonzinho: “ele mesmo andava distribuindo escravos para o seu eleitorado”. Jó rezava todo dia e Deus olhava pra ele e pensava... vou ver se você é fiel de verdade, aí fazia o Jó ficar rico depois fazia ele ficar na maior pobreza, e o homem firme. Se chovesse ou fizesse sol, ele rezava agradecendo a seu Deus.     
     
    Ficava rico agradecia a Deus, ficava pobre lá ia ele agradecer e ainda dizer que Deus era sábio e o amava muito pois vendo que a riqueza fazia com que ele engordasse, Deus o fazia ficar pobre para ele emagrecer e estar sempre bem de saúde, se Deus fazia ele ficar doente ele rezava dizendo, que bom: “vou morrer e breve vou estar perto do meu Deus”.
     
    Se Deus o curasse, ele orava dizendo Deus tem alguma missão para mim aqui na terra por isso não me levou. E tome Reza e Tome Deus achando que ele era muito puxa saco e manda castigo, o pobre do Jó já estava vivendo um efeito sanfona, fica rico, fica pobre, sara, fica doente e Deus não acreditava no cara, não pode ser... a tal raça humana não pode ter produzido alguém tão perfeito, e tome teste de fidelidade,  como judiou do coitado Jó.
     
    Teve um outro que Deus testou também, o cara era protegido de Deus e tinha o nome de Abraão, este aí Deus até que foi mais legal com ele, mas mesmo assim, Abraão que lhe dedicou toda sua vida propagando seu nome destruindo os deuses dos seus parentes que eram ídolos de ouro e outros materiais, ele criou tanto caso com sua família por causa de Deus, que teve que juntar seus parentes mais próximos e se mandar para outras terras senão os próprios parentes acabavam com ele.
     
    Deus resolveu dar um prêmio para ele, e mandou dois caboclos bonitões na casa dele e os caras chegaram dizendo que eram anjos e que estavam lá para dar um filho para ele, vejam como o Abraão era fiel, ele com setenta e cinco anos, o pau já estava marcando só seis horas, sua mulher a Sara estava uma velhota muxibenta, aparece dois cabra sarado e diz que sua velha vai ter um filho.
     
    Gente, se sou eu desconfiava logo! Mas, Abraão não, o homem era feroz... quero dizer: era ferrenho, também não! Bolas, ele tinha muita fé! Aceitou numa boa, sua velha: “gente, era até engraçado a velhinha toda enrugada e com aquele barrigão”, Abraão todo orgulhoso garantia para todo mundo que o filho era seu mesmo, quando percebia uma olhadela de algum meio desconfiado, ele apelava para a Sara.É mentira Sara? E a Sara dava uma risadinha e afirmava, verdáááááde Abraão.
     
    E mais uma vez Abraão demonstrou sua fidelidade, bem... a Sara eu não sei... mas ele era fiel. Mesmo Deus estando satisfeito com ele, disse: “vou fazer mais uma provinha neste caboclo”, Abraão, pegue seu filho Isaac e vá para aquele monte e passe a faca no gogó dele e o imole em minha honra. Gente que tristeza para o velhinho, depois de ter aprendido a aceitar o moleque como seu filho, passado por todas aquelas desconfianças, o garoto nascera com os cabelos louros e o pintinho de anjinho barroco, o do pai era o maior pingolão! Agora mais isto?
     
    Bem Deus é Deus, falou ta falado e vamos nós obedecer. No caminho o Isaac meio desconfiado perguntava: ô paiê cadê o cabrito que o senhor vai imolar? Abraão desconversava, Deus vai dar um jeito, e ele chegando ao local, ainda pôs o coitado do Isaac para catar lenha para assar o tal cabrito que não aparecia, e o Isaac desconfiado... quando o pai o chamava tinha vontade de responder com um bééé, bééé.
     
    Desta vez, Deus ficou satisfeito, e antes do Abraão dar fim no garoto, ele mandou um anjo segurar sua mão, final feliz. Bem... está certo que o Isaac teve que freqüentar o psiquiatra fazendo muitos anos de terapia para tentar se livrar do trauma, já pensou... por um triz seu pai não o mandou para o beleleu. Velho maluco meu. Parece que fumava uns baseados de vez em quando.
     
    Bem teve aquele caso do Jonatas, não sô, não é o jogador do cruzeiro, é um que desobedeceu a Deus e virou rango de tubarão. Esperem aí, isto é outra história, semana que vem eu conto, mas é isto, cuidado, parem de amolar o Chefe por qualquer coisinha.
     
    Até sexta feira se ele não ficar bravo comigo.
     
    Deus.gif

     Valdemiro Mendonça
    - O Trovador -  
     
     
    Se não fosse ele ai de nós
     
    Deus é bom, eu acredito que sim.
    Se  ele fosse ruim meu camarada
    Ele nunca teria criado as mulheres.
     O que seria feito desta homarada?
     
    Imagine os caras metido a grande,
    Iam penar mais que cristo na cruz
     Romário não faria nenhum gol mil,
    Pois estaria ocupado em dar a luz.
     
    Nossa! Estou pensando no Olimpio,
    Ia ser uma baita de uma lambança
    Como que ia trabalhar de jornalista
    ainda cuidar da casa e das crianças?
     
    Credo e o Robalinho e o trovador
    trajando saias curtas  estilo godê,
    caminhando faceiros nas calçadas
    empurrando os carrinhos de bebê.
     
    Gente do céu, é por isto que afirmo,
    Melhor que Deus homem nem quer!
    Ele é o cara, é grande é gente que faz,
     Teve pena dos homens e fez a mulher.
     
    E ele fez as danadinhas todas gostosas,
    coisa pra gente amar e ter bem querer.
    Se fez coisa mais gostosa do que mulher
     Guardou para ele, não deixou nem eu ver.
     
     Valdemiro Mendonça
    - O Trovador -  

    April 18

    QUE PESCAR QUE NADA...

     
     
      
     
     
    Que pescar que nada
     
    Esta lua cheia iluminando o mundo, é um convite para eu pensar em você. Fico imaginando como tive coragem de deixá-la e vir para a beira deste rio pescar, neste tal programa para índio, completamente sem sal.
     
          Se pelo menos algum peixe aparecesse e mordesse a isca, talvez animasse mais, bolas... nem sei para que reclamar. É sempre a mesma coisa, digo que é a última vez e sempre que me chamam quebro a promessa.
     
          Desta vez é a última, com certeza! Imagine... a primeira coisa que vimos ao chegar foi uma cobra jararaca, que o pessoal achou que valia a pena tirar fotos, assim todos nós tiramos uma casquinha da cobra, acho que ela já estava irritada com tanto flash.
     
          Depois disso apareceram os macacos, foi mais uma festa, depois periquitos, papagaios, mesa de sinuca... mesa de sinuca? E foi aí nossa pescaria! Os ribeirinhos afirmaram que não tinha peixe, a cerveja estava gelada, o peixe frito delicioso, a sinuca bem nivelada.
     
    Passamos o resto do sábado neste exaustivo esporte, a noite fomos até um bar bem maior e onde os moradores se reuniam para dançar forró, mais cerveja, mais tira gosto e mais sinuca, enquanto o pessoal dava um duro danado dançando com as caboclinhas (os ribeirinhos).
     
          As vinte e três horas voltamos para o rancho, e o Abdul e Eustáquio resolveram assar uma picanha e detonar mais duas caixas de cerveja, dois parceiros: “Pedro e o irmão Gonzaga” desistiram e foram dormir, ficamos meu filho, Eustáquio, Abdul e eu.
     
           Quatro grandes pescadores no rancho todo coberto de árvores e tentando tocar violão, que não afinava de jeito nenhum, acho que o grande volume de álcool etílico acabou interferindo nas cordas, acabamos desistindo, encostando o violão e nos dedicamos à cerveja.
     
          Uma hora da manhã fui para a cama, o pessoal ainda ficou mais algum tempo, no domingo pela manhã, fomos realmente pescar, molinetes, minhocas, caixas de anzóis, e meia hora na beira do rio das velhas, nem um beliscão que valesse a pena acreditar.
     
          Um a um fomos retornando ao rancho, eu com a perna travada, pelo que acredito “ciático estourado”, passei a andar me escorando com um pedaço de bambu, Gonzaga e Pedro Paulo resolveram retornar à Belo Horizonte, os quatro restantes ficaram.
     
          Afinal, ainda tinha uma picanha e dois contra filés, e mais uma pousada de um amigo do Eustáquio cheia de cerveja gelada, uma pinguinha que o dono da pousada não admite que se chame de pinga, e sim de néctar de cana, e uma piscina cheia de gente bonita nadando.
     
          Bem... as quinze horas achei que a pescaria estava de bom tamanho, e retornamos para casa, meu filho ao volante me passa muita tranqüilidade e chegamos em casa depois de dezessete e trinta, o Eustáquio e o Abdul ainda ficaram mais um pouco.
     
           Acabaram comprando duas arrobas de peixe cada um, e não mentiram para as esposas, quando disseram que tinham pescado, afinal de contas, domingo foi primeiro de abril, dia da mentira. Estava tudo certo e já estou convidado para ajudar a comer os peixes que eles “pescaram”, num churrasco de peixes.
     
          Tenho que arranjar outro pedaço de bambu para escorar a perna e não faltar, certamente esta vai ser a melhor parte da pescaria, comer os peixes e tomar aqueles cinco litros de néctar de cana que nem sei como foi parar entre os peixes que os dois compraram.
     
          Pois é, ainda tem a cerveja que certamente vai estar gelada, eu heim? Que pescar que nada, bem... mas também não teve beijo na boca, porque você minha linda não estava lá, por isto, esta é a ultima vez que vou pescar sem você.
     
          A menos que você não queira ir, pois sei que você tem pavor dos mosquitos, medo de cobra, e as onças que andam por lá são fedorentas, ô bicho porco, não tomam banho e a noite, os morcegos entram no quarto e ficam voando em cima da gente.
     
          Pensando bem... Que pescar que nada, melhor você ficar na segurança da nossa casa. Mesmo porque o fogão lá é de lenha, as panelas são pretas, difícil de arear, acho que você vai estragar as unhas lavando aquelas panelas pretas, acender a lenha, nossa... uma fumaceira. Que pescar que nada!
     
    Até sexta feira, dizem que vai dar peixe.
     
    Bem... Se a minha amada deixar, e a perna melhorar...
     Valdemiro Mendonça
    - O Trovador -  
     
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    "RIMAS & PROSAS"
    Valdemiro Mendonça
    (O Trovador)
    Prosa & Verso
    Semanal (6ª Feria)
    April 12

    UM CIDADÃO BRASILEIRO

     
     
                                                                          30/03/2007
     
     
    Um poeta popular. Acredito até que seja um poeta sertanejo destes que nascem com a poesia na alma, que não se importam se as palavras precisam estar escritas corretamente, mas que escreve sem medo de errar. Escreve como ele e a comunidade onde mora... fala.
     
    Vivendo no campo, o homem aprende a tirar proveito do que é puro e consegue  manter assim a sua alma, ligado ao bucólico, permanece bom e ao mesmo tempo deseja que todo o seu mundo seja como ele, bom e justo.
     
    Infelizmente as pessoas simples pecam, às vezes por querer serem boas e sua simplicidade ficar marcada no que escreve. Um destes poetas que eu não sei de onde é, não sei o nome, nem mesmo se vive ainda, escreveu uma moda de viola tentando de, alguma maneira, chamar a atenção das pessoas para a discriminação com as pessoas idosas.
     
    A letra com as palavras bem caipiras serviria bem ao intento, se ele não tivesse cometido o pecado de ter colocado um titulo racista que, acredito, o fez por simplicidade e sem nem pensar que aquelas simples palavras, que ele deve ter crescido ouvindo como coisa natural “hoje é crime e deveria ter sido sempre ensinado como crime”.
     
    O título da música é: O PRETO DA ALMA BRANCA. Ouvi a moda ser cantada por uma dupla caipira amadora formada no trabalho, e que no horário depois do almoço cantava e divertia os colegas, com esta e outras músicas que cantava muito bem. No entanto, este título é uma das frases mais racistas que eu vi até hoje.
     
    Quando estive trabalhando fora do Brasil, a saudade daqui estava sempre no pensamento, e eu me lembrava da moda de viola, e aos poucos fui recompondo as palavras, até que a letra ficou completa e, como eu não tinha parceiro para cantar comigo, passei a declamar a letra enquanto dedilhava ao violão alguns acordes de “abismos de rosas”.
     
    Sempre que eu ia declamar eu evitava falar o título, até que resolvi muda-lo e tirar as palavras que também estavam no corpo da música, peço desculpas ao autor ou a quem detém os direitos autorais, pois de forma alguma eu quero me apoderar da letra. E se estou comentando aqui, é porque na minha declamação, além da letra, existe uma história que conto para completar o recital que faço hoje apenas para minha família nas festinhas de casa, e que as vezes me pedem.
     
    O conto que vou desenvolver aqui é calçado nessa moda de viola. e meu sonho é que, se alguém conhecer pessoalmente o Rolando Boldrin, grande artista, talvez o convença a declamar o texto ou pelo menos a música que eu hoje chamo de: “UM CIDADÃO BRASILEIRO”.
     
    Pode ser que o texto escrito não provoque a mesma comoção que alcança quando é declamado, pois, a entonação da voz e os gestos é que dão à interpretação, o tempero certo para que as pessoas emotivas e com sensibilidade para a poesia encham os olhos de lágrimas, e sintam vontade de serem bons e mais justos com as pessoas.
     
     
     
     
    UM CIDADÃO BRASILEIRO
     
    Arranjo: Valdemiro Mendonça
     
    Nas férias escolares sempre íamos para a roça onde moravam meus avós maternos, e era uma festa para a velha senhora, descendente de suíços, mas que viera ainda bebê para morar no Brasil, apesar de ser filha de camponeses, recebeu uma educação rica dos conhecimentos dos pais europeus, que por serem simples, não fizeram a América.
     
    Meu avô era filho de franceses da grande família Berbeth e Perroud, nasceu no navio que trouxe seus pais, tios, irmãos e sobrinhos ao Brasil, não tinha a mesma educação da esposa, mas era alfabetizado e quem dirigia os cultos na igreja presbiteriana da localidade.
     
    Todos os seus filhos, inclusive minha mãe, receberam a educação que os pais podiam dar. Como colonos era o bastante, para pessoas simples que se contentavam em sobreviver e saber que moravam num país livre dos horrores da guerra, esta era a sua maior riqueza, “a paz”.
     
    Moravam numa velha casa muito grande, foi sede da fazenda onde eles trabalhavam, os donos, muito ricos, passaram a morar na cidade, e eles ocuparam a morada. A casa foi construída na parte plana duma encosta do vale da Bicuíba no município de Ipanema, Minas Gerais. onde sou registrado.
     
    A parte maior da casa ficava no plano, mas com enorme bom gosto, fora construído um apêndice que ficava numa ribanceira, e era uma varanda que funcionava como mirante e cartão de visita da bela casa, mesmo velha.  Era ali que minha avó alta, magra e bela... como era bela minha avó... se sentava nas noites frias e rodeada dos netos, dos filhos, todos moços e moças, meu avô, minha mãe e alguns primos e vizinhos que, sabendo que chegaramos, tinham certeza que todas as noites vovó contaria suas histórias, as quais não sabíamos se eram reais ou saídas de sua mente, mas histórias maravilhosas, que quem ouvisse não esqueceria mais.
     
    Sentava-se e recebia um cobertor que colocava sobre as pernas, dizia que era porque o frio fazia doer suas juntas, então nos contava histórias de índios, de colonos, de piratas, dos navios, das guerras e, ajeitando mais o cobertor para lhe proteger os artelhos, contou uma noite a história de um preto velho, e que até hoje tenho saudade, do caso que se passou numa tal de fazenda da liberdade.
     
    Morde que foi lá na fazenda da liberdade, adonde o coroné vivia, seus colonos empregados gozavam de regalia, mas quar... tudo que é bão se acaba, morde que cada coisa tem o seu dia, pois foi numa tarde de maio o coroné falecia e só um pretinho veio e foi quem chorou na hora que o caixão saía, ele... ele era o peão mais antigo que ali naquela fazenda existia.
     
    Bom... cá morte do fazendeiro, seu fio foi que ficou o patrão, mas ele não herdou do seu pai aquele bão coração, mandou chamar o preto veio e falou assim sem compaixão: - “Vou mandar mercê embora, não tenho aqui mais precisão, preciso aqui é de gente nova que é para cuidar da criação, morde que foi mais um golpe doído na vida daquele cristão. Ali no palanque da mangueira, o pretinho veio se encostou e assozim de cabeça baixa, seu passado se arrelembrou.”
     
    Quantos bois cuiabanos aquele veio laço segurou, quantos potros xucros e redomão aquela sua veia espora chilena quebrou, ele ainda se alembrava dos tempos que era moço e das coisa boas passadas, o dia que Mariazinha gritou com ele lá da jinela da cozinha da fazenda, com sua voz esganiçada: -‘Ceica nego, ceica nego tição, laigato passou em riba da ponte do curguim detravessou o terreiro da fazenda e ta dando caiacorvo de parmo lá embaixo em riba do monte de caivão.’
     
    Ele com suas pernas de guerreiro, forte e ligeiro, saiu na disparada, pulou pro riba do curguim, passou a galope pelo terreiro, sartou em riba do monte de caivão e agarrou o teiú, torceu o seu pescoço, tirou o coro e limpou, e pra Mariazinha com um sorriso mostrando o branco do dente, ele pra ela entregou.
     
    Mariazinha passou o dia todo cuidando daquele assado, que os patrão quando viam viravam a cara pro lado, mas que ela no forno com braseiros misturando seus temperos, fazia que nem os preto antigo usando coentro e pimenta do reino, alho e as folhas de louro, que sua mãe ensinou e disse que era tempero, lá das terras dos crioulos.
     
    Quando a noite se fez escura, e a lua mostrou seu brilho, ela caminhou pelo terreiro assobiando um estribilho. Carregando junto com ela, o assado que cheirava junto de outras comidas dentro de uma gamela, ela se ria e os dentes com a luz da lua, também mostrou seu brilho, quando ela entrou pela porta do paiol onde ele sempre drumia em riba do monte de espiga de milho.
     
    A conversa era curta, morde que num pricisava de nenhum dos dois conversar, ele sabia o que ela queria e o que tinha ido buscar, era só ter paciência que ele deixava ela levar. Comeram de lamber os beiços, e se limparam com a palha de milho naquela festança maluca, depois beberam da água guardada que ele mantinha esfriada dentro da sua cumbuca.
     
    Os raios de luz do luar entrando pelas frestas das paredes de pau a pique alumiava o interior, e ele via já embeiçado o riso que deixava marcado a beleza daquela flor, antonces ele provoca, a brincadeira do faz de cosca, pra aumentar o riso sem maldade. Maria lhe dando trela, cutuca na sua costela e mexe com a sua vontade.
     
    De repente os dois se estranhando no meio do milho rolando parecia querendo brigar, ela no leito macio parecia um bicho no cio quando quer embuchar, e na luta das apertura em busca da gostosura ia aumentando o calor, e assim foi que Mariazinha, aquela linda pretinha, se tornou sua primeira mulher, e foi na vida seu único amor.
     
    Ali de cabeça baixa, de tudo se alembrando, esqueceu inté da sua aperreação, e neste momento uma baruieira, acordou o velho daquela zonzeira que chamou sua atenção.
     
    Era um boi brabo furioso, parecendo o cão tinhoso, que quebrando a tranqueira da cerca, pra dentro da mangueira pulou. A filha do fazendeiro, sua prendinha mais querida, que sem saber nada da vida brincava ali entretida sem se dar conta do perigo, o preto velho deu uma corrida com suas pernas enfraquecidas sem nem se lembrar do seu castigo.
     
    Nenhuma mágoa ele sentiu, quando parou na frente do boi quando o bicho investiu, para salvar a vida da sinhazinha querida, naqueles chifres afiados suas forças sucumbiu. O fazendeiro ressentido, que a tudo tinha assistido, na hora se desesperou, e num esforço derradeiro foi pra riba do marrueiro e seu revolver disparou.
     
    Foram seis tiros certeiros que acertaram o marrueiro, mas de nada adiantou, as balas mataram o bicho  danado, mas a vida do preto, coitado, ele mesmo querendo não salvou. Se abraçando com o velho ferido, já de tudo arrependido no estertor da morte escutou, as derradeiras palavras que o velho balbuciava e morrendo ainda falou.
     
    - “Mercê manda benzê a sinhazinha com a benças da sua madrinha, do susto que ela passou, e mercê num fica pensando nas coisa que ocê falando
    quarquer mar cê me causou, morde que quarquer mar que acha que me fez, eu já passei de outras vez  e este preto perduou.”
     
    - “Agora mercê dá licença, que sem nenhuma mar querença, vou seguir o destino que um dia o Deus menino me concedeu com seu amor, vou simbora deste rincão em busca da sarvação nos braços de nosso senhor.”
     
    E aquele homem negro, mas de alma tão cheia de luz, como deve ser toda alma que um dia amou, se despediu deste mundo que não era seu, adonde ele tanto sofreu, e desta vida... descansou.
     
      Valdemiro Mendonça
    - O Trovador -  
     
     
    Abaixo segue a letra da moda de viola na íntegra e, como disse, gostaria que o autor ou o dono atual da musica mudasse para outro nome, que fizesse da música tão significativa, uma moda que pudesse ser regravada e mostrada para as novas gerações de violeiros e que gostam deste tipo de moda, pois: 
    O TEMA SEMPRE SERÁ ATUAL, OS IDOSOS AGRADECEM!
     
     
    O PRETO DA ALMA BRANCA
     
    (Um Cidadão Brasileiro)
     
     
    Fazenda da liberdade adonde o coroné vivia
    seus colonos empregados gozavam de arregalia,
    mas tudo que é bom se acaba cada coisa tem o seu dia
    Foi numa tarde de maio o coroné falecia,
    um preto veio chorou na hora que o caixão saia,
    ele era o peão mais antigo, que na fazenda existia... ai.
     
    Com a morte do fazendeiro seu filho ficou patrão
    mas não herdou do seu pai aquele bom coração,
    mandou chamar o preto velho e falou sem compaixão
    vou mandar mercê embora não tenho mais precisão,
    preciso aqui de gente nova pra cuidar da criação
    foi mais um golpe doido na vida de um cristão... ai.
     
    No palanque da mangueira o preto velho encostou
    ali de cabeça baixa seu passado arrelembrou
    quantos boi cuiabanos o seu veio laço segurou,
    quantos potros redomão sua espora chilena quebrou,
    um estalo no portão nesta hora ele escutou
    um pantaneiro furioso, na mangueira penetrou...ai
     
    A filha do fazendeiro sua prendinha querida
    aquele anjo inocente brincava tão entretida
    o preto saiu correndo com suas pernas enfraquecidas,
    parou na frente do boi quando ele se deu na investida
    nos chifres do pantaneiro suas forças foram vencidas
    pra salvar a sinhazinha ele arriscou sua própria vida...ai.
     
    O fazendeiro correndo seu revolver disparou,
    derrubou o pantaneiro mas nada disso adiantou
    abraçando o preto velho, o coitado ainda falou,
    mande benzer a sinhazinha do susto que ela levou
    eu tenho que ir embora minha hora já chegou
    e o (preto da alma branca) deste mundo descansou... ai
     
     (Autor Desconhecido)
     
    Até sexta se... Ele permitir.

       Valdemiro Mendonça
    - O Trovador -  
     
     
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    "RIMAS & PROSAS"
    Valdemiro Mendonça
    (O Trovador)
    Prosa & Verso
    Semanal (6ª Feria)