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June 19
Uma brincadeira com uma pessoa cincera
que nós chamamos
Kika.
TEMPO DE CRIANÇA
Valdemiro Mendonça
O tempo que as princesas tinham tempo,
se foi no tempo das horas que já passou,
entre bordados, pincéis e bailes da corte.
ficou curto o tempo para coisas que amou.
Até o caramanchão de erva de passarinho
que eu fiz obedecendo à sua real quimera
não rebrotou com as chuvas deste verão
também não quer florescer nesta primavera.
Quem sabe seja este jardineiro sem pratica
que não sabe cuidar de flores tão belas assim,
Ou quem sabe seja o doce olhar da princesa
Que não passeia mais pelo seu triste jardim.
Por isto desesperado plantei um canteiro
trevos de quatro folhas e arruda do norte,
quem sabe a princesa se lembre do jardim
e possa vir nos dar um pouquinho de sorte.
Pois ela nos mais loucos desejos se espalha
e suspira inebriada em seu sonho proibido,
tenta um reencontro da alma e seu encanto
na musica antiga que não tem mais sentido.
Hoje a torre norte não tem aquele doce canto
a voz bem timbrada saudando o brilho do luar,
pois fizeram um feitiço para a nossa princesa
trocar o jardim sem flores pela estrela do mar.
O cavalo alado que o príncipe deu de presente
anda tristonho, com saudade no esquecimento,
pois sua princesa nunca mais desejou cavalgar
voando nas nuvens brancas ao sabor do vento.
Vou fazer promessas para o São Jorge lá da Lua
para ele quebrar o feitiço desmanchando a teia,
para que toda noite que ela olhar da torre norte
veja sempre o brilho prateado de uma lua cheia.
Assim ela há de ver o jardim e talvez se lembre
da gangorra que eu fiz no pé de ipê antes florido,
quando eu empurrava e ela gritava, mais alto vai,
hoje até ele não floresce pois se acha esquecido.
Acho que a culpa não é só dela, sim da mãe natureza!
Que fez a princesa mudar modificando todo o seu ser,
e agora ela só fica sonhando aqueles sonhos malucos
por culpa desta tal natureza que fez a menina crescer.
TÔ PARECENDO O MALUCO BELEZA
April 27


Trovador, Trovador!
Tome jeito homem!
Minha amiga Maka brigou comigo, e disse que minhas mazelas não saram é porque eu fico contando aquelas historinhas dos deuses, ela diz que eu vou ficar mais torto da coluna se continuar escrevendo sobre os deuses. “Ainda bem que praga de quem nos ama não pega”. Se não fosse isto, o Mirinho já estava pra lá de Bagdá.
Mas eu falo é dos deuses criados pelos homens, para servirem a causa do poder, da ganância, da exploração de todos os que não tem coragem de criar um Deus para satisfazer suas próprias necessidades, assim seria mais fácil lidar com os pecados. É pecado matar, só não é pecado você matar se o cara matar você primeiro. “ hum... cansei”
Os deuses gregos serviram aos romanos até bem, só mudaram de nome. Para o cristianismo eles não serviram, e como os europeus viram que seus deuses iam perder feio para os deuses do cristianismo, não só abraçaram a causa cristã, como relegaram seu antigos deuses á condição de mitologia.
Bem, com o apoio de gente tão poderosa, os deuses considerados uniteístas, foram negociados, para formarem um único e poderoso Deus, que só não é completamente perfeito, porque o velho testamento não podia ser destruído, por fazer parte de todos os deuses, e aí meu amigo, era o deus dos judeus, deus de maniqueístas, dos filisteus, dos cananeus, dos hebreus, dos mordoqueus, dos jesebeus e muito mais...
E tinham nomes diversos: EL é o mais antigo e depois vem: JEOVÁ, YAM, ELOHIM, ADONAI e mais uma porção, sem contar os deuses egipcianos, que eram bastantes e mais os indianos, africanos, todos renegados pelo cristianismo. Alguns sobrevivem com mais destaque, porque se identificam com outros nomes, tipos nomes de santos e anjos.
Negociando com as tribos mais poderosas, conseguiram no toma lá da cá ir juntando os deuses até formar um só, mas quem tinha suas histórias gravadas em pergaminhos ou pele de animais ou em pedra, não aceitaram que se modificasse a história.
Assim, se o meu EL fez o mundo em seis dias e descansou no sábado, esta história vai ter que ficar do jeito que EL escreveu, é, mas... o meu JEOVÁ, destruiu Gomorra e Sodoma e a torre de babel, e não aceito que se mude uma virgula. Pois, o meu ELOIM mandou o dilúvio e salvou Noé. Tudo acertado, a partir de agora só tem um Deus
E ai, o Deus ficou sendo bonzinho, vingativo, gozador, cansado, maldoso, escravagista, amoroso, senhor da guerra, justo, injusto, e de tantas acusações e defesas, e formas que arranjaram para ele, filho sem mulher e mulher que ninguém explica direito como é, na mesma hora que separa um para cada lado junta os três para resolver problemas que nós mesmo é que criamos, aí ele sumiu. Quem sabe ficou com medo da humanidade que ele, num momento de fraqueza, criou?
Prefiro dizer que: “Deus são todas as emoções que os seres vivos sentem”. No meu coração, na alma da Estela Maris, na cabeça da Maka, na vontade da Amale e da Jacqueline, no sorriso da Maria Lúcia, nas crônicas da Milla, nos textos da Rosa, na beleza da Kika, nos livros infantis da Nina, no cantar do Olympio, nas fantásticas fadas do Robalinho e na bondade de todos os homens e mulheres de bem, Deus é amor.
Perdão por não citar mais nomes, mas, “todos os meus amigos e minhas amigas de verdade são decentes e bons”. Deus também está nas emoções dos maus, e se supre das coisas destrutivas, e aí, mais uma vez muda de nome, sua excelência, “o Diabo”.
Talvez a forma de explicar Deus seja esquecermos como o universo foi criado, já que ainda não é possível ao homem entender, e começarmos a pensar que, Deus quer que o esqueçamos e passemos a tomar conta de toda sua criação, e para isto temos que separar de vez os dois reinos, o bem e o mal irão entrar em guerra, quem vencer, se for o bem, fica com um Deus, se for o mal, fica com o outro Deus.
Assim, se vencerem os bonzinhos, terão que ficar com o Deus chamado Diabo, porque se mataram todos os maus, agora eles é que serão os maus. Se forem os maus os vencedores, certamente destruirão toda a humanidade, e os dois deuses que se entendam lá em cima e que vença o melhor. Farei como Pilatos: “ lavo minhas mãos”
Até sexta-feira, se ele ainda estiver legal comigo, mas vai estar sim, afinal... O meu Deus é amor.
Um abraço,
Valdemiro Mendonça
- O Trovador -
Picuinhas
Que isto sô? Meu Deus é maior que o seu!
Ô cumpade, mas ocê deixa de sê besta sô,
Como que pode Ser isto se Deus é um só?
Nem tem menor nem maior, Deus é amô.
Ah é, ocê tem razão, minha religião que é!
Ô cumpade, que é que tem a sua religião?
A minha é muito mais certa do que a sua!
Cumpade eu num entendi a comparação.
Mor de que ocê está me afirmando isto?
Morde de que ocêis faz pecado todo dia,
ocêis vai no forró, arranja outras muiés,
depois ficam sarvos com três ave Maria.
Ô cumpade nunca esperava isto de ocê,
Fazer esta ignorância de igreja comigo?
Aí cumpade ocê vai discurpá, mas cabou,
qüessas ofensas, nóis num é mais amigo.
Uai, se ta bão procê, pra eu ta muito mió.
Ocê num entende, lá na igreja dos irmão
as nossas muiés são santa, usam inté véu,
nóis inté já compremo um lote bão lá céu.
Aqui cumpade num queria falá nesse trem,
morde que eu num gosto da tar de picuinha,
Mas as muiéradas da sua igrejinha de bosta,
Só é certa lá dentro, aqui fora é tudo galinha.
Ocê fala assim morde cocê é um dispeitado,
falá quarqué boca fala, quero prova, é aqui.
E provo que já trepei com um montão delas.
Pra fala a verdade até a cumade eu já cumi.
Oi cumpade agora ocê falô foi uma besteira,
ocê puxa o revorve que já to é meteno bala.
Morde que ocê vai aprendê que pra sê homi,
Tem que falá verdade e ter vergonha na cara.
Gente, que isto, como é que pôde acontecer?
Os dois se mataram bem lá na rua do quiabo.
Gente eram tão amigos parecia serem irmãos,
Oh meu Deus! Só pode ser armação do diabo.
Valdemiro Mendonça
- O Trovador -
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"RIMAS & PROSAS"
Valdemiro Mendonça
(O Trovador)
Prosa & Verso
Semanal (6ª Feria)
| April 20
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"RIMAS & PROSAS"
Valdemiro Mendonça
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Prosa & Verso
Semanal (6ª Feria)
"PARLAMENTO DO PICA PAU
O FALATÓRIO"
Manuel Robalinho
Espaço Aberto
Semanal (3ª Feira)
QUERO APROVEITAR PARA AGRADECER
AS MINHAS AMIGAS E NETAS
AMALE E JACQUELINE
PELO CARINHO
COM O MEU
BLOG QUE
ESTÁ
10
Deus não é só bonzinho
Não fiquem a toda hora falando o nome de Deus em vão, por que não é sempre que ele é bonzinho. Se ele cismar de querer que você faça algo e se por acaso você não o atender ou ficar com preguiça ou ainda achar que é muito difícil a tarefa, fique esperto que ele pode lhe mandar chumbo grosso e lhe castigar até você virar mendigo.
As pessoas ficam incomodando Deus com cada coisa idiota que ele acaba desistindo de atender, imagine o torcedor fanático ficar pedindo para Deus ajudar o time dele ganhar, se Deus atende ele vai ser taxado de injusto, e aquele outro que quer que Deus o ajude a ganhar na loteria e nem tem coragem de fazer o jogo.
Tem os que se reúnem numa igreja e arrumam a maior gritaria, pedindo tudo que lhe vem na cabeça, carro moto, casa, mulher... se tem? Tem uns cara de pau que pede duas, uma para casar velha e rica e outra jovem e bonita para ser amante. O pior é que as vezes o pedido se realiza, quem realiza, se Deus ou o Diabo é que não dá para saber?
Na bíblia tem muitos exemplos de como Deus é bom e justo e as vezes (muito ruim) e continua sendo justo por que Deus é sempre justo, acariciando ou descendo o bambu, e atreva-se a dizer que ele não é justo, pode sobrar para você, como sobrou para o Jó, que nunca fez nada de mal, mas Deus cismou com ele, exatamente por ele ser sempre honesto.
Ele sempre seguia os ensinamentos do pai, não batia na mulher, não judiava dos filhos, não comia as escravas, Ah: olhe bem como ele nem sempre era bonzinho: “ele mesmo andava distribuindo escravos para o seu eleitorado”. Jó rezava todo dia e Deus olhava pra ele e pensava... vou ver se você é fiel de verdade, aí fazia o Jó ficar rico depois fazia ele ficar na maior pobreza, e o homem firme. Se chovesse ou fizesse sol, ele rezava agradecendo a seu Deus.
Ficava rico agradecia a Deus, ficava pobre lá ia ele agradecer e ainda dizer que Deus era sábio e o amava muito pois vendo que a riqueza fazia com que ele engordasse, Deus o fazia ficar pobre para ele emagrecer e estar sempre bem de saúde, se Deus fazia ele ficar doente ele rezava dizendo, que bom: “vou morrer e breve vou estar perto do meu Deus”.
Se Deus o curasse, ele orava dizendo Deus tem alguma missão para mim aqui na terra por isso não me levou. E tome Reza e Tome Deus achando que ele era muito puxa saco e manda castigo, o pobre do Jó já estava vivendo um efeito sanfona, fica rico, fica pobre, sara, fica doente e Deus não acreditava no cara, não pode ser... a tal raça humana não pode ter produzido alguém tão perfeito, e tome teste de fidelidade, como judiou do coitado Jó.
Teve um outro que Deus testou também, o cara era protegido de Deus e tinha o nome de Abraão, este aí Deus até que foi mais legal com ele, mas mesmo assim, Abraão que lhe dedicou toda sua vida propagando seu nome destruindo os deuses dos seus parentes que eram ídolos de ouro e outros materiais, ele criou tanto caso com sua família por causa de Deus, que teve que juntar seus parentes mais próximos e se mandar para outras terras senão os próprios parentes acabavam com ele.
Deus resolveu dar um prêmio para ele, e mandou dois caboclos bonitões na casa dele e os caras chegaram dizendo que eram anjos e que estavam lá para dar um filho para ele, vejam como o Abraão era fiel, ele com setenta e cinco anos, o pau já estava marcando só seis horas, sua mulher a Sara estava uma velhota muxibenta, aparece dois cabra sarado e diz que sua velha vai ter um filho.
Gente, se sou eu desconfiava logo! Mas, Abraão não, o homem era feroz... quero dizer: era ferrenho, também não! Bolas, ele tinha muita fé! Aceitou numa boa, sua velha: “gente, era até engraçado a velhinha toda enrugada e com aquele barrigão”, Abraão todo orgulhoso garantia para todo mundo que o filho era seu mesmo, quando percebia uma olhadela de algum meio desconfiado, ele apelava para a Sara.É mentira Sara? E a Sara dava uma risadinha e afirmava, verdáááááde Abraão.
E mais uma vez Abraão demonstrou sua fidelidade, bem... a Sara eu não sei... mas ele era fiel. Mesmo Deus estando satisfeito com ele, disse: “vou fazer mais uma provinha neste caboclo”, Abraão, pegue seu filho Isaac e vá para aquele monte e passe a faca no gogó dele e o imole em minha honra. Gente que tristeza para o velhinho, depois de ter aprendido a aceitar o moleque como seu filho, passado por todas aquelas desconfianças, o garoto nascera com os cabelos louros e o pintinho de anjinho barroco, o do pai era o maior pingolão! Agora mais isto?
Bem Deus é Deus, falou ta falado e vamos nós obedecer. No caminho o Isaac meio desconfiado perguntava: ô paiê cadê o cabrito que o senhor vai imolar? Abraão desconversava, Deus vai dar um jeito, e ele chegando ao local, ainda pôs o coitado do Isaac para catar lenha para assar o tal cabrito que não aparecia, e o Isaac desconfiado... quando o pai o chamava tinha vontade de responder com um bééé, bééé.
Desta vez, Deus ficou satisfeito, e antes do Abraão dar fim no garoto, ele mandou um anjo segurar sua mão, final feliz. Bem... está certo que o Isaac teve que freqüentar o psiquiatra fazendo muitos anos de terapia para tentar se livrar do trauma, já pensou... por um triz seu pai não o mandou para o beleleu. Velho maluco meu. Parece que fumava uns baseados de vez em quando.
Bem teve aquele caso do Jonatas, não sô, não é o jogador do cruzeiro, é um que desobedeceu a Deus e virou rango de tubarão. Esperem aí, isto é outra história, semana que vem eu conto, mas é isto, cuidado, parem de amolar o Chefe por qualquer coisinha.
Até sexta feira se ele não ficar bravo comigo.
Valdemiro Mendonça
- O Trovador -
Se não fosse ele ai de nós
Deus é bom, eu acredito que sim.
Se ele fosse ruim meu camarada
Ele nunca teria criado as mulheres.
O que seria feito desta homarada?
Imagine os caras metido a grande,
Iam penar mais que cristo na cruz
Romário não faria nenhum gol mil,
Pois estaria ocupado em dar a luz.
Nossa! Estou pensando no Olimpio,
Ia ser uma baita de uma lambança
Como que ia trabalhar de jornalista
ainda cuidar da casa e das crianças?
Credo e o Robalinho e o trovador
trajando saias curtas estilo godê,
caminhando faceiros nas calçadas
empurrando os carrinhos de bebê.
Gente do céu, é por isto que afirmo,
Melhor que Deus homem nem quer!
Ele é o cara, é grande é gente que faz,
Teve pena dos homens e fez a mulher.
E ele fez as danadinhas todas gostosas,
coisa pra gente amar e ter bem querer.
Se fez coisa mais gostosa do que mulher
Guardou para ele, não deixou nem eu ver.
Valdemiro Mendonça
- O Trovador -
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April 18
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Que pescar que nada
Esta lua cheia iluminando o mundo, é um convite para eu pensar em você. Fico imaginando como tive coragem de deixá-la e vir para a beira deste rio pescar, neste tal programa para índio, completamente sem sal.
Se pelo menos algum peixe aparecesse e mordesse a isca, talvez animasse mais, bolas... nem sei para que reclamar. É sempre a mesma coisa, digo que é a última vez e sempre que me chamam quebro a promessa.
Desta vez é a última, com certeza! Imagine... a primeira coisa que vimos ao chegar foi uma cobra jararaca, que o pessoal achou que valia a pena tirar fotos, assim todos nós tiramos uma casquinha da cobra, acho que ela já estava irritada com tanto flash.
Depois disso apareceram os macacos, foi mais uma festa, depois periquitos, papagaios, mesa de sinuca... mesa de sinuca? E foi aí nossa pescaria! Os ribeirinhos afirmaram que não tinha peixe, a cerveja estava gelada, o peixe frito delicioso, a sinuca bem nivelada.
Passamos o resto do sábado neste exaustivo esporte, a noite fomos até um bar bem maior e onde os moradores se reuniam para dançar forró, mais cerveja, mais tira gosto e mais sinuca, enquanto o pessoal dava um duro danado dançando com as caboclinhas (os ribeirinhos).
As vinte e três horas voltamos para o rancho, e o Abdul e Eustáquio resolveram assar uma picanha e detonar mais duas caixas de cerveja, dois parceiros: “Pedro e o irmão Gonzaga” desistiram e foram dormir, ficamos meu filho, Eustáquio, Abdul e eu.
Quatro grandes pescadores no rancho todo coberto de árvores e tentando tocar violão, que não afinava de jeito nenhum, acho que o grande volume de álcool etílico acabou interferindo nas cordas, acabamos desistindo, encostando o violão e nos dedicamos à cerveja.
Uma hora da manhã fui para a cama, o pessoal ainda ficou mais algum tempo, no domingo pela manhã, fomos realmente pescar, molinetes, minhocas, caixas de anzóis, e meia hora na beira do rio das velhas, nem um beliscão que valesse a pena acreditar.
Um a um fomos retornando ao rancho, eu com a perna travada, pelo que acredito “ciático estourado”, passei a andar me escorando com um pedaço de bambu, Gonzaga e Pedro Paulo resolveram retornar à Belo Horizonte, os quatro restantes ficaram.
Afinal, ainda tinha uma picanha e dois contra filés, e mais uma pousada de um amigo do Eustáquio cheia de cerveja gelada, uma pinguinha que o dono da pousada não admite que se chame de pinga, e sim de néctar de cana, e uma piscina cheia de gente bonita nadando.
Bem... as quinze horas achei que a pescaria estava de bom tamanho, e retornamos para casa, meu filho ao volante me passa muita tranqüilidade e chegamos em casa depois de dezessete e trinta, o Eustáquio e o Abdul ainda ficaram mais um pouco.
Acabaram comprando duas arrobas de peixe cada um, e não mentiram para as esposas, quando disseram que tinham pescado, afinal de contas, domingo foi primeiro de abril, dia da mentira. Estava tudo certo e já estou convidado para ajudar a comer os peixes que eles “pescaram”, num churrasco de peixes.
Tenho que arranjar outro pedaço de bambu para escorar a perna e não faltar, certamente esta vai ser a melhor parte da pescaria, comer os peixes e tomar aqueles cinco litros de néctar de cana que nem sei como foi parar entre os peixes que os dois compraram.
Pois é, ainda tem a cerveja que certamente vai estar gelada, eu heim? Que pescar que nada, bem... mas também não teve beijo na boca, porque você minha linda não estava lá, por isto, esta é a ultima vez que vou pescar sem você.
A menos que você não queira ir, pois sei que você tem pavor dos mosquitos, medo de cobra, e as onças que andam por lá são fedorentas, ô bicho porco, não tomam banho e a noite, os morcegos entram no quarto e ficam voando em cima da gente.
Pensando bem... Que pescar que nada, melhor você ficar na segurança da nossa casa. Mesmo porque o fogão lá é de lenha, as panelas são pretas, difícil de arear, acho que você vai estragar as unhas lavando aquelas panelas pretas, acender a lenha, nossa... uma fumaceira. Que pescar que nada!
Até sexta feira, dizem que vai dar peixe.
Bem... Se a minha amada deixar, e a perna melhorar...
Valdemiro Mendonça
- O Trovador -
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"RIMAS & PROSAS"
Valdemiro Mendonça
(O Trovador)
Prosa & Verso
Semanal (6ª Feria)
| April 12
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30/03/2007
Um poeta popular. Acredito até que seja um poeta sertanejo destes que nascem com a poesia na alma, que não se importam se as palavras precisam estar escritas corretamente, mas que escreve sem medo de errar. Escreve como ele e a comunidade onde mora... fala.
Vivendo no campo, o homem aprende a tirar proveito do que é puro e consegue manter assim a sua alma, ligado ao bucólico, permanece bom e ao mesmo tempo deseja que todo o seu mundo seja como ele, bom e justo.
Infelizmente as pessoas simples pecam, às vezes por querer serem boas e sua simplicidade ficar marcada no que escreve. Um destes poetas que eu não sei de onde é, não sei o nome, nem mesmo se vive ainda, escreveu uma moda de viola tentando de, alguma maneira, chamar a atenção das pessoas para a discriminação com as pessoas idosas.
A letra com as palavras bem caipiras serviria bem ao intento, se ele não tivesse cometido o pecado de ter colocado um titulo racista que, acredito, o fez por simplicidade e sem nem pensar que aquelas simples palavras, que ele deve ter crescido ouvindo como coisa natural “hoje é crime e deveria ter sido sempre ensinado como crime”.
O título da música é: O PRETO DA ALMA BRANCA. Ouvi a moda ser cantada por uma dupla caipira amadora formada no trabalho, e que no horário depois do almoço cantava e divertia os colegas, com esta e outras músicas que cantava muito bem. No entanto, este título é uma das frases mais racistas que eu vi até hoje.
Quando estive trabalhando fora do Brasil, a saudade daqui estava sempre no pensamento, e eu me lembrava da moda de viola, e aos poucos fui recompondo as palavras, até que a letra ficou completa e, como eu não tinha parceiro para cantar comigo, passei a declamar a letra enquanto dedilhava ao violão alguns acordes de “abismos de rosas”.
Sempre que eu ia declamar eu evitava falar o título, até que resolvi muda-lo e tirar as palavras que também estavam no corpo da música, peço desculpas ao autor ou a quem detém os direitos autorais, pois de forma alguma eu quero me apoderar da letra. E se estou comentando aqui, é porque na minha declamação, além da letra, existe uma história que conto para completar o recital que faço hoje apenas para minha família nas festinhas de casa, e que as vezes me pedem.
O conto que vou desenvolver aqui é calçado nessa moda de viola. e meu sonho é que, se alguém conhecer pessoalmente o Rolando Boldrin, grande artista, talvez o convença a declamar o texto ou pelo menos a música que eu hoje chamo de: “UM CIDADÃO BRASILEIRO”.
Pode ser que o texto escrito não provoque a mesma comoção que alcança quando é declamado, pois, a entonação da voz e os gestos é que dão à interpretação, o tempero certo para que as pessoas emotivas e com sensibilidade para a poesia encham os olhos de lágrimas, e sintam vontade de serem bons e mais justos com as pessoas.
UM CIDADÃO BRASILEIRO
Arranjo: Valdemiro Mendonça
Nas férias escolares sempre íamos para a roça onde moravam meus avós maternos, e era uma festa para a velha senhora, descendente de suíços, mas que viera ainda bebê para morar no Brasil, apesar de ser filha de camponeses, recebeu uma educação rica dos conhecimentos dos pais europeus, que por serem simples, não fizeram a América.
Meu avô era filho de franceses da grande família Berbeth e Perroud, nasceu no navio que trouxe seus pais, tios, irmãos e sobrinhos ao Brasil, não tinha a mesma educação da esposa, mas era alfabetizado e quem dirigia os cultos na igreja presbiteriana da localidade.
Todos os seus filhos, inclusive minha mãe, receberam a educação que os pais podiam dar. Como colonos era o bastante, para pessoas simples que se contentavam em sobreviver e saber que moravam num país livre dos horrores da guerra, esta era a sua maior riqueza, “a paz”.
Moravam numa velha casa muito grande, foi sede da fazenda onde eles trabalhavam, os donos, muito ricos, passaram a morar na cidade, e eles ocuparam a morada. A casa foi construída na parte plana duma encosta do vale da Bicuíba no município de Ipanema, Minas Gerais. onde sou registrado.
A parte maior da casa ficava no plano, mas com enorme bom gosto, fora construído um apêndice que ficava numa ribanceira, e era uma varanda que funcionava como mirante e cartão de visita da bela casa, mesmo velha. Era ali que minha avó alta, magra e bela... como era bela minha avó... se sentava nas noites frias e rodeada dos netos, dos filhos, todos moços e moças, meu avô, minha mãe e alguns primos e vizinhos que, sabendo que chegaramos, tinham certeza que todas as noites vovó contaria suas histórias, as quais não sabíamos se eram reais ou saídas de sua mente, mas histórias maravilhosas, que quem ouvisse não esqueceria mais.
Sentava-se e recebia um cobertor que colocava sobre as pernas, dizia que era porque o frio fazia doer suas juntas, então nos contava histórias de índios, de colonos, de piratas, dos navios, das guerras e, ajeitando mais o cobertor para lhe proteger os artelhos, contou uma noite a história de um preto velho, e que até hoje tenho saudade, do caso que se passou numa tal de fazenda da liberdade.
Morde que foi lá na fazenda da liberdade, adonde o coroné vivia, seus colonos empregados gozavam de regalia, mas quar... tudo que é bão se acaba, morde que cada coisa tem o seu dia, pois foi numa tarde de maio o coroné falecia e só um pretinho veio e foi quem chorou na hora que o caixão saía, ele... ele era o peão mais antigo que ali naquela fazenda existia.
Bom... cá morte do fazendeiro, seu fio foi que ficou o patrão, mas ele não herdou do seu pai aquele bão coração, mandou chamar o preto veio e falou assim sem compaixão: - “Vou mandar mercê embora, não tenho aqui mais precisão, preciso aqui é de gente nova que é para cuidar da criação, morde que foi mais um golpe doído na vida daquele cristão. Ali no palanque da mangueira, o pretinho veio se encostou e assozim de cabeça baixa, seu passado se arrelembrou.”
Quantos bois cuiabanos aquele veio laço segurou, quantos potros xucros e redomão aquela sua veia espora chilena quebrou, ele ainda se alembrava dos tempos que era moço e das coisa boas passadas, o dia que Mariazinha gritou com ele lá da jinela da cozinha da fazenda, com sua voz esganiçada: -‘Ceica nego, ceica nego tição, laigato passou em riba da ponte do curguim detravessou o terreiro da fazenda e ta dando caiacorvo de parmo lá embaixo em riba do monte de caivão.’
Ele com suas pernas de guerreiro, forte e ligeiro, saiu na disparada, pulou pro riba do curguim, passou a galope pelo terreiro, sartou em riba do monte de caivão e agarrou o teiú, torceu o seu pescoço, tirou o coro e limpou, e pra Mariazinha com um sorriso mostrando o branco do dente, ele pra ela entregou.
Mariazinha passou o dia todo cuidando daquele assado, que os patrão quando viam viravam a cara pro lado, mas que ela no forno com braseiros misturando seus temperos, fazia que nem os preto antigo usando coentro e pimenta do reino, alho e as folhas de louro, que sua mãe ensinou e disse que era tempero, lá das terras dos crioulos.
Quando a noite se fez escura, e a lua mostrou seu brilho, ela caminhou pelo terreiro assobiando um estribilho. Carregando junto com ela, o assado que cheirava junto de outras comidas dentro de uma gamela, ela se ria e os dentes com a luz da lua, também mostrou seu brilho, quando ela entrou pela porta do paiol onde ele sempre drumia em riba do monte de espiga de milho.
A conversa era curta, morde que num pricisava de nenhum dos dois conversar, ele sabia o que ela queria e o que tinha ido buscar, era só ter paciência que ele deixava ela levar. Comeram de lamber os beiços, e se limparam com a palha de milho naquela festança maluca, depois beberam da água guardada que ele mantinha esfriada dentro da sua cumbuca.
Os raios de luz do luar entrando pelas frestas das paredes de pau a pique alumiava o interior, e ele via já embeiçado o riso que deixava marcado a beleza daquela flor, antonces ele provoca, a brincadeira do faz de cosca, pra aumentar o riso sem maldade. Maria lhe dando trela, cutuca na sua costela e mexe com a sua vontade.
De repente os dois se estranhando no meio do milho rolando parecia querendo brigar, ela no leito macio parecia um bicho no cio quando quer embuchar, e na luta das apertura em busca da gostosura ia aumentando o calor, e assim foi que Mariazinha, aquela linda pretinha, se tornou sua primeira mulher, e foi na vida seu único amor.
Ali de cabeça baixa, de tudo se alembrando, esqueceu inté da sua aperreação, e neste momento uma baruieira, acordou o velho daquela zonzeira que chamou sua atenção.
Era um boi brabo furioso, parecendo o cão tinhoso, que quebrando a tranqueira da cerca, pra dentro da mangueira pulou. A filha do fazendeiro, sua prendinha mais querida, que sem saber nada da vida brincava ali entretida sem se dar conta do perigo, o preto velho deu uma corrida com suas pernas enfraquecidas sem nem se lembrar do seu castigo.
Nenhuma mágoa ele sentiu, quando parou na frente do boi quando o bicho investiu, para salvar a vida da sinhazinha querida, naqueles chifres afiados suas forças sucumbiu. O fazendeiro ressentido, que a tudo tinha assistido, na hora se desesperou, e num esforço derradeiro foi pra riba do marrueiro e seu revolver disparou.
Foram seis tiros certeiros que acertaram o marrueiro, mas de nada adiantou, as balas mataram o bicho danado, mas a vida do preto, coitado, ele mesmo querendo não salvou. Se abraçando com o velho ferido, já de tudo arrependido no estertor da morte escutou, as derradeiras palavras que o velho balbuciava e morrendo ainda falou.
- “Mercê manda benzê a sinhazinha com a benças da sua madrinha, do susto que ela passou, e mercê num fica pensando nas coisa que ocê falando
quarquer mar cê me causou, morde que quarquer mar que acha que me fez, eu já passei de outras vez e este preto perduou.”
- “Agora mercê dá licença, que sem nenhuma mar querença, vou seguir o destino que um dia o Deus menino me concedeu com seu amor, vou simbora deste rincão em busca da sarvação nos braços de nosso senhor.”
E aquele homem negro, mas de alma tão cheia de luz, como deve ser toda alma que um dia amou, se despediu deste mundo que não era seu, adonde ele tanto sofreu, e desta vida... descansou.
Valdemiro Mendonça
- O Trovador -
Abaixo segue a letra da moda de viola na íntegra e, como disse, gostaria que o autor ou o dono atual da musica mudasse para outro nome, que fizesse da música tão significativa, uma moda que pudesse ser regravada e mostrada para as novas gerações de violeiros e que gostam deste tipo de moda, pois:
“O TEMA SEMPRE SERÁ ATUAL, OS IDOSOS AGRADECEM!”
O PRETO DA ALMA BRANCA
(Um Cidadão Brasileiro)
Fazenda da liberdade adonde o coroné vivia
seus colonos empregados gozavam de arregalia,
mas tudo que é bom se acaba cada coisa tem o seu dia
Foi numa tarde de maio o coroné falecia,
um preto veio chorou na hora que o caixão saia,
ele era o peão mais antigo, que na fazenda existia... ai.
Com a morte do fazendeiro seu filho ficou patrão
mas não herdou do seu pai aquele bom coração,
mandou chamar o preto velho e falou sem compaixão
vou mandar mercê embora não tenho mais precisão,
preciso aqui de gente nova pra cuidar da criação
foi mais um golpe doido na vida de um cristão... ai.
No palanque da mangueira o preto velho encostou
ali de cabeça baixa seu passado arrelembrou
quantos boi cuiabanos o seu veio laço segurou,
quantos potros redomão sua espora chilena quebrou,
um estalo no portão nesta hora ele escutou
um pantaneiro furioso, na mangueira penetrou...ai
A filha do fazendeiro sua prendinha querida
aquele anjo inocente brincava tão entretida
o preto saiu correndo com suas pernas enfraquecidas,
parou na frente do boi quando ele se deu na investida
nos chifres do pantaneiro suas forças foram vencidas
pra salvar a sinhazinha ele arriscou sua própria vida...ai.
O fazendeiro correndo seu revolver disparou,
derrubou o pantaneiro mas nada disso adiantou
abraçando o preto velho, o coitado ainda falou,
mande benzer a sinhazinha do susto que ela levou
eu tenho que ir embora minha hora já chegou
e o (preto da alma branca) deste mundo descansou... ai
(Autor Desconhecido)
Até sexta se... Ele permitir.
Valdemiro Mendonça
- O Trovador -
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"RIMAS & PROSAS"
Valdemiro Mendonça
(O Trovador)
Prosa & Verso
Semanal (6ª Feria)
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