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May 25


Quer alugar a barriga?
Uái, se pagar bem!
Capítulo IV
Quando a orquestra terminou a valsa, o milionário não mostrava sinal de cansaço e a acompanhou até a mesa do casal. Cumprimentou efusivamente Jorge e Irene e elogiou a performance de Marcela para dançar, fazendo-a prometer que dançaria novamente com ele, ela aceitou e, após mais algum tempo de conversa fútil, ele se retirou com o pretexto de dar atenção aos outros convidados, antes falando para Marcela: - “Aproveite para dançar com os bonitões que você quiser, porque depois é comigo e eu não me canso fácil” - riu do próprio comentário e ouviu de Marcela: - “Então vamos dançar a noite toda, eu também não me canso”.
Quando ele se foi, as garotas vieram logo perguntar pela dança com o maior partido da festa, ela riu e disse - “Eu nem sabia que ele estava disponível” ao que Ana retrucou – “Ele está solteiro, e é a primeira vez que dança com alguém que ele conheceu no mesmo dia”. Marcela riu seu riso cristalino, e apenas respondeu que ele só quis ser educado, agora quem riu foram as duas garotas fechando o diálogo com um -” isto vai dar casamento” - Marcela mostrando a que veio disse: – “Eu sou solteira e topo qualquer parada, desde que seja abençoada pelo padre e o Juiz”. Irene e Jorge que tinham ouvido a conversa riram também, mas Jorge não deixou de ter uma pontinha de ciúmes. O páreo seria duro, embora ele estivesse com a vantagem.
Júlia e Ana a apresentaram a vários rapazes que começaram a disputar o direito de dançar com ela. Marcela estava feliz e transmitindo esta felicidade com sorrisos brejeiros, tentando agradar a gregos e troianos, festa de rico, o homem e a mulher mais feios se tornam tão elegantes e belos como se a beleza de uma pessoa estivesse na roupa e na forma afetada de se comportar ao falar, caminhar, rir e até mesmo no olhar. Talvez por isto o jeito simples, a beleza e a juventude da mineirinha estivessem agradando a todos
Jorge e Irene se aproximaram dançando dela e do seu par, um rapaz alto e simpático com um terno moderno de corte italiano e cabelos claros e lisos e muito falante, que tentava jogar mais charme do que tinha para cima da moça, se tornando um pouco desagradável, pois falava de muito perto e tinha hálito de peixe morto temperado com Whisky.
Irene percebeu o constrangimento da garota e falou com Jorge, combinaram de separar os dois, aproximaram-se e Jorge praticamente intimou o rapaz a deixá-lo dançar com a garota, enquanto sua esposa dançaria com ele. O moço ainda jovem, todo solícito, não se opôs, sabia que o empresário era figurão e Irene era uma bela mulher. Depois dançaria de novo com a garota! Jorge aproveitou para falar quase sem abrir a boca, o suficiente para ela entender. – “Quero você e não importa quanto terei de pagar por isto, segunda-feira Irene vai recomeçar a trabalhar e vou dar um jeito de ir em casa para ficarmos sozinhos, tudo bem para você?” - Marcela demorou um pouquinho para responder, e quando o fez, Jorge ficou até vermelho, porém não perdeu a pose.
- “Sr. Jorge, vou ser o mais objetiva possível. Não sou tão ingênua como pareço, sei tudo sobre sexo, embora nunca o tenha praticado, acho que este lance de virgindade é apenas fazer sexo a primeira vez. Eu não vou ser hipócrita negando que também não me sinto atraída pelo senhor, é um homem bonito e na idade que encanta qualquer mulher, mesmo as jovens sem nenhuma experiência como eu. Claro que o sonho de qualquer garota é que o primeiro homem da sua vida seja aquele que faça sua primeira vez ser lembrada pelo resto da vida, mas o senhor é um homem casado com uma mulher que está me tratando melhor até do que minha mãe, e mesmo tendo os mesmos desejos que o senhor, eu tenho que pensar nas conseqüências dos meus atos. Se o senhor quiser ir lá, é sua casa e eu não iria ter a pretensão de dizer-lhe para não ir. Mas, fique claro isto, não faremos nada as pressas que venha atrapalhar seu casamento com dona Irene, e nem desgraçar minha vida com um ato impensado.
Jorge estava pasmo, não esperava esta reação de um garota que ele acreditava ser ingênua e que falou uma porção de verdades sem estar pensando para falar. A música terminara e foi preciso Marcela chamar a sua atenção, pois estava distraído e pensando nas palavras da garota, separou-se dela e ainda falou: - “Certo, você tem razão, mas vou assim mesmo para conversarmos”. Ela disse-lhe que estava tudo bem e caminhou junto com ele em direção a Irene, que tinha deixado o tal rapaz e vinha ao encontro dos dois. Irene estava rindo e falou: - “Você me deve uma e ao Jorge, o cara tem um bafo de onça danado”. Os três riram e foram sentar numa das mesas e perto do bar, logo um barman veio saber se queriam alguma bebida, ele pediu uma dose de absinto e uma garrafa de água tônica, Irene lembrou a ele que teria que dirigir, e ele brincou que Marcela poderia levar o carro. Marcela riu com gosto e disse: - “Se confiarem, o que não me falta é coragem. Já dirigi até o caminhão do meu pai”. Irene não concordou, rindo ela disse que era ainda muito jovem e não se sentia ainda pronta para morrer. As mulheres pediram refrigerantes e logo foram servidas, enquanto a orquestra parou para um descanso de meia hora, convidados por Marcos para beberem alguma coisa e fazerem um lanche junto com os convidados, ele próprio sentou-se com eles por um instante para que ficassem a vontade, estes pequenos gestos faziam-no se sentir bem e garantia o atendimento de todos com alegria, pois se sentiam importantes sendo tratados com respeito pelo ricaço. Logo pediu licença e foi fazer a via sacra, andando de mesa em mesa e procurando saber se todos estavam bem servidos, e aproveitava para divertir e se divertir com os convidados.
Disfarçadamente, algumas vezes olhara para a mesa onde estava Marcela visivelmente interessado. A garota o impressionara, e a muito não se sentia assim tão encantado por alguém, mulheres de todas as idades se atiravam em seus braços e ele levava para a cama quantas aparecessem, mas sentir aquelas sensações de quando ainda era adolescente era difícil, e na verdade, esta era a primeira vez desde que se separara de sua esposa já há mais de seis anos. Ficou afastado dela até que os músicos retornaram ao palco, e só aí se dirigiu para a mesa onde chegou com um largo sorriso e se sentiu confiante quando a linda garota fixou o olhar no seu e o recebeu com um sorriso, disse dirigindo-se aos três: - “Vim buscar alguém que saiba dançar de verdade para me ensinar” - Marcela sorriu e disse – “Estou pronta e nem cobrarei pelas aulas”. Marcos pediu licença a Irene e a Jorge e se afastou com a garota.
Irene falou: - “Estou enganada ou o Marcos está arrastando asa para a nossa... bela sobrinha?” riu do “bela sobrinha” e esperou Jorge responder. Jorge não demonstrando, mas sentindo-se enciumado disse: - “Não sei, mas não me preocupa, ela deve saber se cuidar, Irene sentiu uma diferença na entonação na voz do marido, mas pensou que ele estivesse apenas sendo prático, ou talvez o fato de tê-la apresentado como sobrinha o fizesse mais responsável pela garota. Ficaram observando os casais dançando e cada um com seus pensamentos, Irene vira uma amiga grávida com uma enorme barriga, e isto a fizera sentir novamente o desejo de ter um filho seu, num gesto maquinal virou a cabeça e procurou por Marcela, inconscientemente já tinha formado uma idéia que, a partir daquele momento, ia tomar conta da sua cabeça e vontade, olhou mais uma vez a alegria de Marcela dançando.
Marcos queria falar o que estava sentindo para a moça, mas ele que nunca se importava se ia ou não agradar a uma mulher o que dissesse, estava pensando se não faria um papel ridículo, tendo a pretensão de tentar conquistar uma garota que poderia ser sua neta. Quase que adivinhando os pensamentos de Marcos, Marcela falou sabendo que estava sendo ousada e poderia ser confundida com uma interesseira: – “Pensei que tinha me esquecido, demorou para voltar” - ele até engasgou e respondeu aos trancos: “Desculpe-me, eu tinha que atender aos convidados, mas se você quiser eu não me afasto mais de você” - a esperta garota tratou logo de tapar o furo que poderia ter deixado: - “Eu gostaria sim, é que os rapazes mais jovens nem sempre são cavalheiros, e eu sou tímida.
Marcos perguntou se alguém tinha lhe faltado com o respeito, ela disse: - “Não Senhor Marcos, são coisas de homem e nada que eles me digam vai me escandalizar, faço eles entenderem que tenho minhas metas, e isto não inclui fazer sexo por fazer”. Marcos perguntou se ela não gostaria de sentar á mesa com ele para conversarem um pouco mais, ela disse que gostaria muito, e quando a musica terminou ele caminhou com ela para a mesa e ofereceu-lhe o braço, ela aceitou e todos os olhares caíram em cima dos dois. Jorge neste instante de costas para os dois não viu, mas Irene falou para ele: - É, acho que você acertou quando disse que corríamos o risco de perder a empregada” - ele não olhou de imediato, mas discretamente virou-se e ainda viu o casal se aproximando de uma mesa vazia, e Marcos soltando o braço da moça afastou a cadeira para ela sentar-se, pensou... como é gentil este meu amigo.
Continua na próxima sexta-feira.
Valdemiro Mendonça
- O Trovador -
Está perdoada
Os lobos famintos caçando a presa
chapeuzinho vermelho ri dos bobos.
Se eles não forem bastante espertos,
Será ela quem vai comer estes lobos.
Baba baby, baby baba, e vão babar
pela prenda da quermesse no leilão,
casa comida e um filhote todo ano
casamento viagens e meu coração.
Da janela refletindo-se na bela lagoa
uma lua cheia vai clareando ao léu,
promete para quem com ela nadar
que ela o carrega para morar no céu.
Se há traição não sou eu a culpada
Tem alguém com culpa bem maior.
eu não inventei nenhuma das regras
fiz o que acreditei ter sido o melhor.
Sempre se pode perdoar os pecados
principalmente se é feito para o bem
fiz muitas pessoas viverem mais felizes
aproveitei para ser mais feliz também
Valdemiro Mendonça
- O Trovador -
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May 21

Quer alugar a barriga?
Uái, se pagar bem!
Capítulo III
As garotas voltaram do toalete e Marcela se juntou a elas e, neste momento, Neide anunciou a entrada dos últimos convidados. Logo após, entrou no recinto, e com um microfone sem fio na mão, anunciou a entrada do anfitrião, que foi recebido com grande ovação pelos presentes. Dirigiu-se ao palco, onde a orquestra estava pronta para o baile que seria logo depois da exibição do filme. Cumprimentou a todos agradecendo a presença, e falou do filme:
- “Pessoal, este filme está estourando os recordes de bilheteria e não duvido nada que seja o ganhador do próximo Oscar, o titulo é: “De volta para o Futuro”, Assisti na casa de um amigo em Dallas e quero ver de novo, aproveitem que ainda vai demorar o lançamento no Brasil, sentem-se, e enquanto assistimos, vamos tomando alguma bebida e aquecendo o corpo para o baile”.
O enorme salão de festas não estava com sua lotação total, os convidados foram escolhidos e listados pelo próprio Sr. Marcos, e eram apenas os seus colaboradores e amigos mais próximos. Os sofás macios e a pompa do salão fizeram Marcela pensar que fora para aquela vida que nascera, não desistiria de tentar qualquer coisa para ser uma freqüentadora daquele ambiente. Jorge e Irene foram sentar junto as três moças, e Jorge fez exatamente o que Marcela esperava que ele fizesse, sentasse entre ela e Irene, suspirou baixinho e pensou... meu futuro chegou, riu com os olhos e deixou a boca fechada para rir mais tarde.
As luzes se apagaram e o vídeo cassete começou a rodar, projetando as imagens no telão de primeiro mundo, Marcos mandou o rapaz que estava operando o vídeo eliminar as propagandas de outros eventos, e o filme esperado começou a rodar, o filme já estava legendado, graças aos incontáveis amigos do empresário que não negavam a ele qualquer favor, visto que ele sempre recompensava de uma ou outra forma quem lhe servisse. O filme realmente prendeu a atenção de todos, e Marcela ficou vidrada na tela, mas não deixou de sentir a perna de Jorge de vez em quando fazendo pressão na sua coxa, aquilo a excitava, ainda mais porque estava sem encostar em homem desde que saíra da sua casa.
Tinha que continuar a fazer seu papel de menina certinha para Irene, mas precisava fazer Jorge saber que estava entendendo o jogo, sutilmente, quando a sala ficou mais escura, forçou sua perna contra a perna dele, e ele sem perder tempo fez a mesma coisa, ela sorriu e continuou prestando atenção ao filme. Este joguinho foi excitando os dois a ponto de Jorge quase cometer uma imprudência. Num momento em que uma tempestade armou-se no filme, por um instante a sala ficou totalmente escura, e Jorge sem se conter tentou beijá-la, mas ela esperta safou-se, abaixando o corpo e fingindo arrumar alguma coisa no sapato. Foi uma sorte, pois logo o salão se iluminou quando uma chuva de raios na tela provocou não apenas brilho, mas barulho de trovoada forte, o que alvoroçou os convivas, fazendo-os movimentarem-se em sussurros e até risos abafados no salão.
Jorge percebeu a besteira que ia fazendo, e pensou que a garota o salvara de dar um vexame, tinha que ser mais cuidadoso ou acabaria em palpos de aranha, a cabeça de cima pensa, a de baixo é sem juízo nenhum. Se sua mulher desconfia que ele esteja a fim de papar a empregada, ela roda a baiana e adeus casamento tranqüilo. Não que ele fosse fiel a Irene, mas procurava não deixar furos, sua esposa era sua dedicada amada amante, não merecia ser traída, mas como isto é próprio de macho, e nisto ele era bom, não ficava com dor na consciência. Bem... algumas vezes Irene andou desconfiada e fazendo perguntas, demonstrando ciúmes, mas nunca chegaram a discutir por isto, gostava dela, mas gostava das mulheres e achava que não iria para o inferno se pegasse duas diferentes por semana.
Quando terminou a exibição os convidados bateram muitas palmas, demonstrando ao anfitrião que mais uma vez ele era o dono da festa, mesmo algum que nem tinha entendido o filme aplaudiu entusiasticamente, pois para o dono das notas verdinhas, palmas nunca eram demasiadas. Todas as luzes estavam acesas e mais uma vez Marcos, cinqüentão bom vivan foi ao microfone, e depois de brincar com os presentes, fez uma das suas tiradas que ele sabia divertir os convidados, anunciou que ia iniciar o baile dançando com alguém bem jovem, estava com saudades do perfume do viço, que só os jovens têm.
Marcos não se sentia velho, seu porte atlético resultado de uma vida sempre correndo atrás dos negócios que não deixava tempo para engordar, e nem mesmo ter uma barriga saliente, pois uma das suas atividades extras fora do trabalho era a natação, que fazia com gosto, já que tinha participado de uma olimpíada nesta modalidade, e mesmo não tendo recebido medalhas, fora o quarto colocado, e ele se lembrava com muito orgulho. Encerrando sua fala, ele apontou para Marcela e disse que ela seria sua parceira se he concedesse a honra de dançar com ele uma valsa. Marcela olhou para os patrões como se pedisse socorro, e foi animada por Jorge e Irene que perguntaram se ela sabia dançar, ela confirmou e ouviu de Jorge secundado pela esposa, vá lá e não tenha medo, ele não morde.
Marcela se levantou, não tinha medo, sabia dançar qualquer ritmo, aprendera com suas amigas e namorados nas furrupas realizadas em sua cidade(furrupas: danças realizadas em casas de família - sarau na casa de ricos, furrupas em casas modestas). Marcos desceu do palco e atravessou o salão em direção a moça, que abriu o seu sorriso mais lindo para recebê-lo, ele, um gentleman, primeiro a cumprimentou, pegando delicadamente sua mão e dando um beijo, apenas roçando seus lábios na pele macia de Marcela, que sentiu um arrepio de tesão por aquele homem que mais parecia um Deus, e representava o mundo que ela gostaria de fazer parte, ela agora era uma princesa, depois da meia-noite voltaria a ser perereca... sem mágoas.
Continua na próxima sexta-feira.
Valdemiro Mendonça
- O Trovador -
Rodopiando
Como se deslizasse em nuvens brancas
ou como uma pluma ao sabor do vento.
Era um sonho de meninice a se realizar
passar sua vida entre aquele momento.
ficar a torcer para nunca mais acordar.
Era a própria felicidade que a movia
levando-a para um mundo encantado.
Enquanto rodopiava por todo salão,
eram passos largos, porém delicados,
no ritmo das batidas do seu coração.
Entre o riso numa euforia disfarçada,
De ser parte de um mundo de alegria.
e entre as notas com som de seresta
a noção da realidade exata, se perdia.
no perfume mágico que exala da festa.
É som gostoso de sinos de Papai Noel,
a neve caindo como flocos de algodão
Embalando os sonhos de moça menina
valsando ao sabor de uma doce canção,
dentro de uma bola de cristal pequenina.
Valdemiro Mendonça
- O Trovador -
Visitem minha Coluna na GI!!
"RIMAS & PROSAS"
Valdemiro Mendonça
(O Trovador)
Prosa & Verso
Semanal (6ª Feria)
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May 11


Quer alugar a barriga?
Uái, se pagar bem!
Capítulo II
Nas duas semanas que se seguiram, Irene que ainda estava de férias, foi lhe ensinando os meandros de uma boa funcionária do lar. Marcela levava tudo na mais perfeita calma e, ao mesmo tempo que pensava em se dar bem, os valores de honestidade e moral recebidos dos pais e parentes pobres, mas probos, faziam com que ela pensasse até em desistir de ficar na casa de Irene e perto das tentações. Por ficarem sozinhas, Irene acabou por confidenciar mais coisas do que deveria a uma simples empregada. Marcela era como um gravador, prestava atenção nos detalhes e, algumas frases soltas dita durante as conversas e que pareciam sem importância, eram analisadas cuidadosamente por ela, nada se perdia.
Um dia, quando mostravam na TV uma reportagem de mulheres que não podiam ter filhos e estavam apelando para a fertilização in-vitro, ela ouviu um suspiro de Irene junto com a frase: - “Acho que é o que eu vou tentar fazer”. Como Irene não se dirigira a ela, ficou calada, mas as palavras ficaram martelando na sua cabeça. Na primeira vez que ficou sozinha no apartamento, numa noite em que o casal saíra para jantar fora e, como não era a primeira vez, a moça sabia que só voltariam tarde e de pileque. E não podia deixar uma chance de saber coisas que poderiam fazer dela alguém melhor do que uma simples empregada doméstica. Estava por sua conta e risco, sem a proteção do papai e mamãe, pensou e lembrou-se da mãe, não lhe dera noticias, e ainda não decidira se faria isto.
Foi revirar os guardados dos patrões, tinha o cuidado de decorar primeiro as posições dos objetos, depois de satisfeita colocaria tudo como estava na mais perfeita ordem. Já tinha feito isto de outra vez, mas apenas por curiosidade, desta vez tinha um objetivo: “descobrir a causa do suspiro de Irene. Fuça aqui, arruma, vai noutra gaveta, faz o mesmo, até que numa gaveta encontrou uma porção de papéis e um pacote de notas de dólares, que era uma boa quantia, entre os papéis tinham exames médicos e viu uma infinidade de exames de gravidez. Nenhum deles positivo, continuou procurando e descobriu que Irene era dada como estéril, guardou tudo como estava e foi ver televisão, mas incomodada com as informações, desligou e foi-se deitar, demorou a dormir e ficou matutando... o que lhe valeria no futuro a descoberta? Esperaria com calma, era jovem, tinha tempo, e a pressa é má conselheira, riu... "ditos mineiros."
Irene, a medida que convivia com Marcela, foi cada vez mais gostando e confiando nela e se abrindo, contou que trabalhava numa grande empresa e que não dependia do marido. Era uma engenheira civil brilhante e, apesar do marido insistir para ela não trabalhar, não abria mão do seu emprego muito bem remunerado. Tinha pavor de avião e não gostava de dirigir, sabia e era habilitada a dirigir, tinha seu próprio carro, mas era tão pouco usado que, apesar de tê-lo comprado há mais de ano, parecia ter saído da concessionária naquele dia. De vez em quando falava uma a duas palavras referentes a filhos, Marcela espichava a orelha, mas ela sempre se calava, como se tivesse medo de tocar no assunto. Mas falara sobre a agência de imóveis do marido com filiais em todas as grandes cidades do país, eram como ela dava a entender muito ricos.
Era sexta-feira e Jorge chegara cedo. Tinham combinado de ir ver um filme que estava sendo lançado nos Estados Unidos, e um amigo seu trouxera uma cópia para fazer uma média com os amigos no Brasil. Irene expressou a Jorge o fato de Marcela ficar sozinha no apartamento, ele disse que não haveria mal em levá-la, desde que não a apresentassem como empregada. Poderiam dizer que ela era uma sobrinha de Irene, e que estava no Rio para estudar, claro que a moça concordou logo, mas fez charminho: - “Ah seu Jorge... vão o senhor e dona Irene, eu não tenho nenhum vestido para ocasiões assim, e não fica bem uma sobrinha ir mal vestida”.
Imaginem... roupa era o que Irene tinha sobrando, e tudo de grife até internacional. Levou logo a moça para o quarto e, num minuto, a perereca virou princesa e sem beijo de príncipe. Um vestido longo de cor bege ascendendo para o marrom, com etiqueta de Dior e com uma boina ao estilo Che Guevara azul bem claro, um sapato de salto médio, claro... “uma sorte ela ter o pé trinta e seis igual ao de Irene”, uma bolsa delicada com uma orquídea pintada em cada lado. Batom, ela usou o seu, pois os de Irene eram claros, e para ela com a pele morena clara, ficavam bem tons mais fortes. Escolheu uma cor vinho e Irene espargiu um borrifo de perfume suave que não agredia, e combinava com seu aspecto juvenil. Pensou... levar empregada em festa é muita comodidade, mas, pode servir para alguma coisa. “Era a lei de Gerson funcionando, levar vantagem em tudo”.
Quando saíram, Jorge tremeu na base, vinha já alimentando uma vontade de dar uns agarros nela e, apesar de se mostrar sem afetação, a menina deu um banho de beleza, charme e até elegância, se tinha uma coisa que Marcela sabia bem, era sobre desfiles de moda que acompanhava pelas revistas da época, era inteligente e sabia como deixar os homens zonzos sem matar de uma vez, notou todo o interesse do patrão, sem dar a entender que estava sequer olhando para ele, ele foi sincero quando disse: - “Nossa, que transformação, vamos perder a funcionária, vão pedir esta moça em casamento com certeza!”
Irene tinha confiança no marido e concordou emendando: - “Está mesmo linda Marcela”. Ela fingindo-se tímida agradeceu, e já dentro do elevador sentiu a proximidade de Jorge que, se fingindo de bobo, encostara nela e fez uma pressão com o corpo para que ela percebesse, tudo sem deixar de afagar o ombro de Irene, como se só ela estivesse ali. Foram direto para a garagem e saíram no Mercedes conversível prata, com bancos de couro e forração brancos, um luxo ostentado por quem estava bem na vida, poucos num Brasil de miseráveis. O carro deslizou suavemente pela garagem e saiu a rua, causando inveja ao povo.
Jorge dirigia o carro com segurança pelas ruas com muito movimento naquele horário. Encostou o Mercedes na frente de um portão com gradil altíssimo de uma mansão em Santa Tereza que, embora começasse a perder o status de bairro nobre, ainda abrigava a nata da sociedade carioca. Desceram do veículo e um rapaz se aproximou cheio de ginga típica do povão para receber as chaves, chamando Jorge de doutor e demonstrando conhecer o empresário, que era assíduo freqüentador da mansão, comparecia a quase todas as festas, convidado pessoalmente pelo anfitrião que conhecia seus parentes e amigos na Europa.
O portão de entrada se abriu e, o porteiro com uma reverência, cumprimentou a todos fazendo um gesto estudado e gracioso, indicando o caminho. Jorge dera o braço à Irene e fez o mesmo com Marcela, mas desta vez, sem qualquer sinal de segundas intenções. Sabia que os empregados eram argutos e qualquer gesto mais ousado seria percebido por eles, o que colocaria sua história em dúvida, isto não seria conveniente, pois geralmente falatórios de criados acabam chegando aos ouvidos do patrão, e Jorge não podia ser pego em falhas que pudessem abalar a tão bem estruturada amizade com Marcos Sálvio Figueroa Riguith. O magnata da exportação de leite em pó para muitos países da Europa, e com negócios bem sólidos nos Estados Unidos e Canadá.
Adentrara ao primeiro salão, e Neide, a recepcionista loura, dona de uma agência que fazia este trabalho, e era conhecida entre os ricaços do Rio, veio em direção aos convidados, cumprimentando-os com simpatia e mostrando também conhecê-los, perguntou: - “Quem é esta bela moça Irene?” Irene respondeu: - “É minha sobrinha, veio para estudar aqui e vai ficar morando em minha casa até se enturmar”. Neide perguntou o nome e elogiou a beleza de Marcela, dando-lhe as boas vindas ao Rio, e se afastando foi até a mesa de recepção, onde ela mesma anunciou os convidados com sua voz com timbre aveludado, como as anunciantes de aeroporto: - “O casal SR. E SRA. Carriso Lence e a sobrinha STA. Marcela Núbia Droser”, Marcela se sentiu uma princesa.
Ela se sentiu uma princesa, e os convidados da festa a viram como tal, logo para desgosto de Irene, duas moças aparentando a idade da moça se aproximaram e a convidaram para acompanhá-las ao bar e pegar uma bebida. Marcela que tinha sido recomendada a não falar muito para não dar bandeira, não se preocupou com as recomendações, pediu licença e as acompanhou. Jovens se apresentam com tanta facilidade: - “Eu sou Júlia e esta é Ana, e você?” – “Eu sou Marcela, caipira mineira na cidade grande” - as moças riram e simpatizaram logo com a simplicidade da moça, chegaram ao balcão do bar sortido de todo tipo de bebidas e pediram ao barman uma bebida, ela pediu refrigerante mas, as duas garotas insistiram para que ela tomasse caipivódica e ela aceitou.
Já tinha tomado bebidas alcoólicas, mas sabia que não podia de nenhuma forma correr o risco de deixar os patrões em situação embaraçosa. Fingia que bebia e, num momento em que Ana a convidou a e Júlia para irem ao toalete, ela se desculpou, e assim que elas saíram, foi até Jorge e Irene que lhe deram atenção sorridente, perguntando se estava tudo bem com ela e se estava a vontade. Ela respondeu que sim, e mostrando-se medrosa falou para Irene da bebida: - “Não estou acostumada dona Irene, tenho medo de ficar tonta” - Irene gostou de poder instruir a moça, afinal, demonstrava bom senso, e de certa forma respeito.
Disse-lhe que era só não tomar muito e não teria problema, ela meio em dúvida olhou para o Jorge e ele falou, não se dirigindo a ela, mas a Irene: - “Deixe-a se divertir, se ela ficar de pileque faz parte da festa”. Irene que sempre concordava com Jorge, disse “é isso mesmo, nós cuidamos de você, não se preocupe, mas vá devagar”. Irene se perguntava se tinha agido certo, boas empregadas estavam tão difícil no mercado, que valia a pena até ter a moça como se fosse realmente da família, fazendo uma espécie de adoção e cuidando de todos os interesses da garota, inclusive lhe pagando os estudos, mas, isto teria que ser muito bem conversado. Estudantes tem idéias, idéias podem ser perigosas e seria uma pedra no seu caminho.
Continua na próxima sexta-feira.
Valdemiro Mendonça
- O Trovador -

Mineirice Baiana
O poeta maior disse meio que cismando...
No meu caminho tinha uma pedra!
O Trovador. Pequeno poeta meditando...
Eu acho que esta pedra não é relevante,
Pois a essência dentro da própria pedra
é um relevo nos caminhos do viajante.
Sendo próprio do relevo paisagístico,
ele pode afirmar com toda a convicção
que tinha uma pedra no seu caminho.
Se numa analise do ponto lingüístico,
De toda analise do relevo em questão.
A pedra estiver mesmo lá no caminho.
Porém... esta mineirinha carioca e fajuta,
dizer: seria uma pedra no meu caminho,
desvirgina a pedra mudando o nome dela,
pois a pedra que estaria no seu cantinho,
deixou de ser uma pedra naquele caminho
e foi transformada naquela tal da Marcela.
É por isto que este trovador tão mineiro
na mineralidade itabirística Drumondista
dentro dos próprios mineirismo mineirais,
Não admite o uso da frase que não é dela.
Ela pode dizer: seu caminho tem Marcela...
dizer: uma pedra no meu caminho, jamais!
Valdemiro Mendonça
- O Trovador -
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May 03


Quer alugar a barriga?
Uái, se pagar bem!
Capítulo I
O ano, mil novecentos e oitenta e cinco, tempo de abertura política no Brasil ditatorial. A nação acompanhando o modernismo do mundo estava aderindo á utilização do método de conceber, alugando uma barriga para gerar um filho, por razões de infertilidade de algumas mulheres que desejavam um rebento e não conseguiam engravidar. Claro que isto era para os ricos, pobre, se a mulher não pudesse, ficaria sem herdeiros.
Marcela Núbia Droser era uma garota linda e até bem educada, cursara o primeiro grau completo, mas, por razões de geração em conflito, deixou sua casa em uma pequena cidade mineira após uma violenta discussão com o pai, que não aceitava saber que sua filhinha, criada com tanto amor e carinho desse até para os moleques dos vizinhos, dizendo-se adepta do amor livre.
Isto era uma das filosofias trazidas pelos bichos grilos, que já tinha há muito caído em desuso, mas para quem nasceu no interior de Minas Gerais, era coisa de encher a boca: “sou a favor da mulher trabalhando e não dependendo de homem”. Era uma maneira de dizer que tinham colocado um fim aos milhares de anos de escravidão da virgindade feminina, e para quem teve esta coragem de sair na frente, o premio era pago muitas vezes em degradação total dos princípios morais.
Bem, ela não tinha muita razão, o pai era um homem as antigas, mineiro radical e desinformado das novidades mundiais, que já começavam a usar o computador e valorizar a força do trabalho feminino. Assim, enquanto os jovens viviam as novelas, o cinema novo e as mudanças culturais facilmente assimiladas, mas sem nenhum preparo... e que iria provocar danos irreparáveis na geração brasileira do futuro, os senhores mineiros, já quarentões como o senhor Otacílio Droser, continuavam a ver a mulher unicamente como motorista de fogão a lenha.
Queria para Marcela um bom casamento, que lhe desse muitos netos e por isto, nunca deixava faltar nada para a garota sapeca de dezessete anos, que tinha fogo na periquita, e achava que o mundo girava como um carrossel que parava para ela subir e descer, onde e quando ela determinasse. Quando de repente, o pai zeloso dos bons costumes mineiros descobriu que a filha só não dava para carrapatos por não saber qual era o macho, viu o seu mundo ruir.
Foi o dia de se lavar roupa suja, sobrou até para dona Deusa por não ter informado ao chefe da casa as safadezas de Marcela. As mulheres mineiras desta geração também não acompanhavam a cabeça da juventude, e eram tão ou mais apegadas aos velhos costumes do que o marido, por isto sua reação foi chorar e lamentar a sua sorte, mas disposta a acatar as decisões do seu amo. Se ficasse contra o marido, seria taxada de conivente com a safadeza da filha por todos os parentes e conhecidos.
O pai em desatino, expulsou de casa a filha. Triste, subiu na boléia do seu caminhão e foi à transportadora, onde conseguiu uma carga que o afastaria de cidade pelo menos por um mês. Voltou a casa e deixou dinheiro para as despesas enquanto estivesse fora, deixou também uma boa quantia para que a esposa entregasse a Marcela com recomendações expressas de que ela não deveria nunca mais voltar. No fundo tinha esperança que ela não fosse e acatasse sua decisão, mas não cederia agora, mesmo com os pedidos chorosos de Deusa.
Marcela, sabendo que o pai partira, retornou à casa da mãe para recolher suas roupas e depois de muito choro saiu. Naquela noite se esbaldou, deu para a molecada toda, acabou dormindo na casa que servia de alojamento aos soldados, e durante o resto da noite deu para o cabo Aldir, que era casado, mas não morava na cidade e como era um tipo bonitão, Marcela aproveitou para matar a vontade. Desta vez ela não se contentou apenas em ser comida, comeu também como se estivesse vingando-se do pai.
No outro dia levantou-se cedo e foi à rodoviária, onde comprou uma passagem para a capital mineira, que só estava nos seus planos como local de passagem, para ela era conveniente que as pessoas pensassem que era este seu destino, mas queria mesmo era ir para o Rio de Janeiro, onde as coisas estavam sempre acontecendo, quando chegasse lá veria o que fazer. Não estava com medo, era jovem, e juventude e coragem são parceiras.
Tomou um copo de café e comeu um pão com manteiga, entrou no ônibus e, com um olhar que não conseguiu abranger toda a cidade porque era construída sobre morros, murmurou um adeus e prometeu que aquela cidade de merda não a veria mais. Chegou à Belo Horizonte por volta de treze horas e procurou o guichê que vendia passagem para o Rio de Janeiro, comprou para o horário de vinte duas horas, chegaria ao destino pela manhã e teria o dia inteiro para organizar-se e resolver suas necessidades mais urgentes, que era alojamento e comida.
Passeou pela bela capital de ruas arborizadas enquanto aguardava à hora do embarque, comeu salgadinhos e tomou refrigerante, demonstrava segurança e perfeito domínio da situação. Quando embarcou, sentou-se na poltrona ao lado da janela, e dentro em pouco sentou-se ao seu lado uma mulher aparentando pouco mais de trinta anos, seria sua companheira de viagem e, iria daí por diante ajudá-la a escrever mais um capitulo no livro da sua jovem vida, se para bem ou para o mal, só com o tempo iremos saber.
Enquanto o ônibus rodava em direção a saída para o Rio subindo a Avenida Amazonas, ela permaneceu olhando para fora e procurando não pensar no dia de amanhã, a mulher ao lado puxou conversa, e logo as duas se entenderam e se apresentaram: - “Eu sou Marcela e estou de mudança para o Rio”, a outra respondeu: - “Eu sou Irene e moro lá desde criança, mas tenho parentes aqui e estava passando uns dias com eles”. Logo estavam contando suas vidas uma para a outra como velhas amigas.
Marcela contou os motivos de sua ida para o Rio de Janeiro, e Irene se prontificou a ajudá-la, a moça muito esperta, viu ali a chance de ter um início mais fácil na nova localidade. Entre um comentário e outro, ela disse que gostaria de trabalhar de empregada doméstica, pois assim teria onde morar e comer. O que Irene não contou, é que tinha ido a Minas Gerais justamente para tentar trazer uma mulher que trabalhasse sem carteira assinada, e demorasse pelo menos três anos até que ficasse esperta e se associasse a algum sindicato da classe.
Não demorou em se acertarem, até as condições de salário e da moradia no emprego foram aceitas por Marcela que, agradecendo disse: - “Deus está me ajudando, foi uma sorte grande encontrar a senhora logo agora que estou mais precisada”. O restante da viagem foi de muita conversa entre as duas, e a cada frase, Marcela procurava falar acentuando o sotaque mineiro, se Irene iria ser sua patroa era bom que pensasse que ela era uma caipira bem atrasada, assim ganharia sua confiança. Como Irene não perguntou, ela não disse a idade, e como era de porte alto, Irene deve ter imaginado que ela era mais velha. Isto lhe convinha.
Logo que chegaram à rodoviária do Rio, Irene falou para que ela guardasse suas economias, pois suas despesas daí em diante seriam pagas por conta do emprego. Marcela não discutiu, na verdade, isto era tudo o que ela queria. Foram de táxi até o apartamento de Irene, um edifício antigo, mas muito bem cuidado, rodaram margeando algumas praias e Marcela fingiu surpresa com a vista do mar, exclamava as besteiras de sempre: -“Nossa, como é grande!” - Irene ria, e prometeu que em breve a levaria à praia. Mal sabia ela que sua cidade era quase na divisa com o Espírito Santo, e que todo ano o pai a levava com a mãe por uma semana as belas praias de Vitória, onde aprendera a arte de fazer-se atraente para os homens.
Quando subiram ao décimo segundo andar, e Irene abriu o apartamento, Marcela ficou maravilhada com o tamanho, as cores e a beleza dos móveis, tinha certeza de que ia gostar de morar lá, ficou ainda mais alegre quando ocupou seu quarto que tinha banheiro, cama macia e guarda roupa. Irene disse para ela arrumar as suas roupas, o apartamento estava limpo e ela podia descansar, só iria trabalhar a partir do dia seguinte, pois era o dia primeiro do mês de setembro, e assim, seria mais fácil o acerto do pagamento. Ao olhar pela janela do seu quarto, avistou a lagoa Rodrigo de Freitas, perguntou para Irene se era o mar, Irene sorrindo, mais uma vez explicou com bom humor o que era.
Para Marcela estava bom começar no outro dia, mesmo assim, quando dona Irene foi fazer o almoço, ela se prontificou a ajudar, e valeram as aulas de cozinha que recebera da mãe, depois não deixou a patroa limpar a cozinha, fez tudo e mostrou que seria a empregada perfeita para atender as exigências da casa. Irene foi para o seu quarto e dormiu até as dezesseis horas, acordou e encontrou Marcela vendo televisão. Marcela pediu desculpas por ter ligado a televisão sem permissão, mas Irene a tranqüilizou, disse-lhe que ela sempre poderia ver televisão desde que tivesse feito o serviço da casa.
Ela tinha tomado banho e colocado uma saia cinza que mostrava suas formas juvenis bem feitas, uma blusa com decote em v e que deixava a mostra o inicio da divisão das seios, sem ser muito chamativo, para Irene ninguém iria se interessar muito pela figura da mocinha. Às dezoito horas a campainha tocou e Irene foi abrir, sabia que era o marido, que a abraçou com carinho mostrando que estava saudoso, Irene já tinha lhe falado da nova empregada que ela tinha trazido, combinara antes com Marcela que as duas tinham se conhecido na casa do irmão dela em Minas.
Quando a viu, Jorge, um descendente de espanhóis do sangue quente, sentiu a pele queimar embaixo das roupas, cumprimentou a moça enquanto seus olhos a mediram de cima em baixo rapidamente, avaliando o potencial feminino, não deixou transparecer nada para a esposa, o aperto de mão suave pressionando e folgando por duas vezes, quase fez Marcela sorrir. Sabia que o bonitão, se estivessem ali a sós, a agarraria, mas fingiu bem o seu papel de mineirinha ingênua e quase virgem.
Continua na próxima sexta-feira.
Valdemiro Mendonça
- O Trovador -
Temperatura temperada
Bem, os óvulos já estão fecundados
guardados no fundo do congelador
agora fiquem de olho, sigam direito
todas as recomendações do doutor.
Moça, você leve este termômetro
toda manhã antes de se levantar,
enfia ele na... pois é, na... isso, lá!
Subiu o grau, venha me procurar.
Doutor eu como mãe de proveta,
Não faço nadinha só seguro vela?
A senhora usa sua a boa vontade
fique só enjoada e vomite por ela.
Já que alugou a barriga madame,
Por que se enfear preocupando?
curta as festas com o seu maridão
e deixe a outra se engravidando.
Valdemiro Mendonça
- O Trovador -
Inspiração de Deus
Um dia estava Deus a pensar...
Em seu coração o desejo imenso de criar...
Alguém que Ele pudesse amar;
Alguém que pudesse amar;
Alguém que existisse para ser feliz.
Então Ele teve uma idéia!
Resolveu, com amor e ternura,
criar você: por amor e para o amor.
Nesse momento,
Deus exultou de alegria em saber que você,
do jeitinho que é, iria se tornar realidade.
Assim, toda a criação esperou, radiante,
para ver tamanha obra prima das mãos do Criador.
E esse dia aconteceu.
Você veio a existência e,
para a alegria de toda humanidade,
você nasceu.
Você é importante, você é inspiração amorosa do Pai do céu.
Seja feliz, hoje e sempre!!!
Nós que fazemos a GI, seus amigos Colunistas, Leitores Amigos e Visitantes te desejamos nesta data tão especial (29/04/2007) muita saúde, harmonia, felicidades, grana, amor e tudo o mais que de melhor houver no mundo, pois vc merece isso e muito mais!
Que esta data tão especial (29/04) se repita por muito e muito tempo!!
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